"Elephant" é o melhor rock do ano

Elephant (Sum Records), a nova obra da dupla White Stripes, de Detroit, é sem dúvida alguma, o melhor rock do ano. Formada em 1997, a dupla que tem como forças motrizes os (presumíveis) irmãos Jack e Meg White traz o mais refinado som dos anos 2000 à tona. Trata-se do mais fino contato imediato de terceiro grau já produzido entre o rock da atualidade e aquele mítico rock branco - embebido em blues negro - que balançou os anos 60 e 70, de Led Zeppelin a Cream, de Rolling Stones a The Who.Em 1999, eles apareceram como um disco homônimo, pelo selo indie Sympathy for The Record Industry (a ligação com a fase mais early dos Stones é umbilical). Depois, vieram De Stijl (2000) e White Blood Cells (2001, esse aqui bastante superestimado). Elephant, o novo disco da banda, passeia por referências quase esquecidas, como Velvet Underground, e outras mais recentes, como Jeff Buckley - o cantor trágico que morreu precocemente depois de mergulhar no Mississippi, de cima de uma ponte. Há um clima meio paródico em algumas faixas, como em Well It´s True That We Love One Another, mas isso não compromete o resultado todo. I Want To Be the Boy To Warm Your Mother´s Heart, cantada ao piano por Jack White, vale-se de lições de dramaticidade cênica de Janis Joplin, se é que isso é possível. No blues-rock Ball and Biscuit, é como se dois pivetes americanos de subúrbio tivessem roubado a guitarra de Keith Richards e resolvessem fazer uma jam numa garagem abandonada. Todas as letras são de Jack White, voz (e guitarra, e piano, e voz) incrivelmente parecida com um Mick Jagger versão 1963 (exceto I Just Don´t Know What To Do with Myself, cover de Burt Bacharach). Meg White toca bateria e faz alguns vocais - como em In the Cold, Cold Night, bem ao estilo do cabaré dadaísta da cantora Nico. Só há dois convidados no disco, Mort Crim e Holly Golightly, que adicionam vocais a duas faixas. Segundo a New Musical Express (NME), o disco Elephant passou esta semana o onipresente Coldplay (A Rush of Blood to the Head) no Top 10 inglês. É a nova revolução do rock americano passando a perna no combalido britpop.

Agencia Estado,

16 de abril de 2003 | 17h44

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