Elba Ramalho mostra sua nordestinidade

Nada de conceitos estéticos muito elaborados, de grandes inovações poéticas nem de ousadias sonoras. Mas muita coerência, serenidade, xotes, baiões e, principalmente, nordestinidade. Tudo isso está presente no novo CD da cantora Elba Ramalho, Cirandeira (BMG), que chega às lojas neste mês. Sábado, apesar de ainda não ser a estréia do novo repertório, parte dessa nova atmosfera musical pode ser vivida no Via Funchal. Zé Ramalho, que em breve lança um tributo a Raul Seixas, será o cúmplice de Elba nesse espetáculo."Eu quis manter toda a minha espontaneidade, a característica da folia, o clima festivo que norteia o meu trabalho", afirma Elba. "Em princípio, a idéia era criar um disco só com forrós, mas acabei fechando numa seleção formada por cirandas, canções, músicas que falam de amor. E produzi sozinha, do meu jeito, levando em conta a intenção inicial: a alegria da música nordestina." A maior parte dos arranjos de base foi feita por Marcos Faria.Quando Elba fala da inclusão de cirandas, há uma muito especial, que dá nome ao disco. A música é de Lenine, que fez os arranjos e tocou violão de náilon. "Não tive como não me apaixonar pela composição que, mesmo não sendo dançante, se remete à cultura nordestina e ao amor", diz a cantora.A inédita Cirandeira é a primeira faixa do CD e dá a impressão de que ele será conduzido por um conceito intimista, mas, na verdade, ela serve como introdução para o feliz momento da carreira vivido por Elba - claramente refletido nos xotes e baiões. "Foi, sem dúvida, a canção que me fez rever a idéia de gravar um disco só de forrós. Fiz isso com muita tranqüilidade, pois a grande vantagem de ser intérprete é poder seguir padrões estéticos menos rígidos, seguir o que o coração manda. O meu compromisso é, nesse caso da produção de um disco, exclusivamente guiado pelas músicas que me emocionam." Feliz a opção de Elba de "mudar" em tempo, porque é no canto de Cirandeira que a sua flexibilidade como intérprete se reafirma.Além de Lenine, Elba prestigia outros compositores dessa geração. Chico César participou da concepção dos arranjos, toca violão e divide-se com ela no vocal na sua canção Sem Ganzá não É Coco, e Zeca Baleiro, que também fez os arranjos e toca violão de náilon em Alma Nua. Elba não se esqueceu de contemplar o trabalho de uma série de autores com carreiras menos divulgadas, como Targino Gondim e J. Michiles. "Eu quis cantar o Nordeste, plural, rico de sons, acolhedor", justifica. Como parte dessa ampla cultura, ela ainda incluiu Patativa, de Vicente Celestino, e Forró de Surubim, de Antonio Barros.O novo álbum foi produzido quase todo em janeiro, num período paralelo à terceira edição do Rock in Rio. "Foi extremamente puxado para mim, porque também apostei muito nessa apresentação no festival", conta. "Era uma coisa totalmente nova, tive de pensar em tudo com o Zé (Ramalho), como a formação da banda e do repertório, que foi praticamente baseado só no dele. Foi muito feliz para ambos, pois o nosso sucesso foi legitimado ali por uma nova geração que nos admira e que gosta dos ritmos nordestinos." Essa alquimia musical deve ser vista sábado, no Via Funchal.Elba Ramalho e Zé Ramalho - Sábado, às 22 horas. De R$ 30,00 a R$ 60,00. Via Funchal (Rua Funchal, 65, tel. 3846-2300). Patrocínio: Ajato, Transbrasil, Volkswagen, Blue Energy, Hospital Oswaldo Cruz e Melhoramentos

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