Elba Ramalho faz shows e critica a gravadora

Parceiros de muitas jornadas, o sanfoneiro pernambucano Dominguinhos e a cantora paraibana Elba Ramalho reencontram-se para dois shows hoje e amanhã no Tom Brasil - Nações Unidas. "É um show completamente novo e é lindo, fez um sucesso enorme no Rio", diz a cantora, que está preparando um novo álbum, com produção do também pernambucano Lenine. Elba tem contrato para dois discos na BMG, mas quer que a companhia rescinda seu contrato. "Não estou confortável com essa situação. Minha visão de mercado mudou muito. Se um dia fiz concessões não quero fazer mais. Não sou sabonete, produto de prateleira. Minha arte é muito maior. A gravadora só dá o sangue para os marqueteiros da mídia. Querem vender merda para ganhar dinheiro fácil. Cansei", desabafa a cantora. Curiosamente, quando Elba migrou da Universal para a BMG, foi batendo o pé por motivos semelhantes. A primeira insistia em mantê-la numa redoma pop que soava artificial. Elba queria voltar para a música genuinamente nordestina que é seu reduto. A BMG apostou e se deu bem. O CD Leão do Norte, talvez o melhor disco da cantora, bateu logo a casa das 200 mil cópias vendidas. Agora, os ares estão bem mais poluídos do que naquele 1996 em que deu a última guinada. "As gravadoras estão perdidas e os artistas se fortalecendo. Faço uma média de 12 a 14 shows por mês, posso vender meus discos nos eventos. Se precisar, saio com ele debaixo do braço para oferecer para as pessoas. Vou vender pelo preço que acho justo", aponta Elba. "Só sei que não dá mais para continuar presa ao esquema delas, é uma aflição muito grande. Não tenho mais necessidade de me expor, não quero fazer música para tocar no rádio, vou gravar músicas para provocar atitudes. Não preciso mais aparecer na televisão." Ídolo dos maiores no Nordeste, a cantora arrasta multidões de até 2 milhões de pessoas, como ocorreu no São João deste ano. Artista de grande presença no palco, mais do que nos discos, Elba sempre investiu em espetáculos de impacto. No show De Volta pro Aconchego, que divide agora com Dominguinhos, vai cantar inéditas, como Conceição dos Coqueiros (Lula Queiroga), e sucessos de aceitação garantida como Xote das Meninas (Luiz Gonzaga), Na Base da Chinela (Rosil Cavalcanti/Jackson do Pandeiro), Tenho Sede (Dominguinhos/Anastácia), Frevo Mulher (Zé Ramalho). Eles vão se alternar em blocos juntos, em solos e com banda. Num bloco em que se acompanha sozinha ao violão, Elba foge do "lado nordestino", interpretando Beradêro (Chico César), Miragem do Porto e Relampiano (ambas de Lenine com parceiros). Além de reprisar outras belezas de sua autoria, como Gostoso Demais e a toada que dá título ao show, Dominguinhos ainda conta histórias bem-humoradas de suas parcerias com Chico Buarque, Djavan e outros. Para bons apreciadores da música nordestina, é um encontro e tanto. Elba Ramalho e Dominguinhos - Tom Brasil/Nações Unidas. Rua Bragança Paulista, 1281, 2163-2000. Hoje e amanhã, 22 horas. R$ 30 a R$ 60.

Agencia Estado,

06 de agosto de 2004 | 18h24

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