'Elas cantam Roberto' vai ter samba, iê-iê-iê e balada romântica

A diretora Monique Gardenberg conta detalhes do show desta terça-feira, que mostra facetas do compositor

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

26 de maio de 2009 | 07h57

 A cantora lírica Céline Imbert, a axezeira Ivete Sangalo, a musa do pop-rock Marina Lima e a sambista Mart’nália num mesmo palco? Até parece o Festival de Verão de Salvador, mas, apesar do elenco disparatado, a diretora Monique Gardenberg diz que procurou criar blocos para tornar o show mais dinâmico. "Céline vai estar na primeira parte, que vai ser mais solene", adianta Monique, que evitou provocar choque entre elas. Duetos serão só dois: Daniela Mercury e Wanderléa em Esqueça, e mãe e filha Zizi e Luiza Possi em Canzone per Te. O gran finale vai reunir todas elas cantando É Preciso Saber Viver.

 

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Roberto teria pedido para Rosemary ser incluída no elenco e sugerido que Marina cantasse Como Dois e Dois. Ele vai ter um set próprio, deve assistir ao show da plateia evai juntar-se a elas. Das 72 músicas selecionadas inicialmente por ela, 40 ficaram na segunda triagem. Depois, em reunião com Guto Graça Mello, responsável pela direção musical, ambos chegaram às 26 finais. Uma banda de 29 músicos vai acompanhar as cantoras. Arranjos, cenários (de Gringo Cardia) e direção vão ter um clima para cada canção, mas estarão sempre a serviço da música, afirma Monique.

 

Além de se adequar ao perfil de cada cantora, ela, que também se declara fã do Rei, quer mostrar todas as facetas dele: além do lado romântico, o do rock, o iê-iê-iê ingênuo da jovem guarda, a fase do soul/blues. E também lembrar de sua aproximação com o samba. Afinal, Roberto começou a carreira cantando bossa nova, a mais fina modalidade do gênero.

 

Nos anos 60, na era dos festivais, defendeu Maria Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná) e gravou Ai Que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves). Depois compôs (com Erasmo Carlos) Rainha de Roda, gravada por Elza Soares na trilha da novela O Bofe. Agora Wanderléa gravou o Samba da Preguiça. Quem vai defender essa faceta sambista do Rei no show é Mart’nália com Só Você Não Sabe, que Roberto gravou em 1989.

 

"Elas Cantam Roberto tem duplo sentido. Significa que além de cantarem as músicas dele, elas estão passando uma cantada nele, declarando seu amor por ele", brinca a diretora. Apesar das diferenças de estilo, a maioria delas já cantou músicas de autoria ou do repertório de Roberto em shows ou discos, como Marina Lima (Emoções), Zizi Possi (Querem Acabar Comigo), Fafá de Belém (Do Fundo do Meu Coração), Adriana Calcanhotto (Por Isso Corro Demais), entre outras.

 

Monique diz que procurou evitar a repetição. "Preferi pegar músicas que nenhuma tinha cantado antes, mas alguns casos foram inevitáveis como Paula Toller cantando As Curvas da Estrada de Santos", diz. Neste caso também se encaixa Nana Caymmi, que vai interpretar Não Se Esqueça de Mim, gravada por ela com Erasmo Carlos. Sandy ficou com As Canções Que Você Fez pra Mim, Céline Imbert canta A Distância. Ana Carolina encara Força Estranha, e a cantriz Marília Pêra viaja a 120... 130... 150 km por Hora.

 

Como no show de 2004, com o mesmo nome e também dirigido por Monique, o de hoje é beneficente. As cantoras abriram mão dos cachês e a renda vai ser toda destinada à Associação Américas Amigas, entidade criada em parceria com Brasil e Estados Unidos para conscientização e pesquisa sobre o câncer de mama.

 

Serviço

Elas Cantam Roberto. Teatro Municipal (1.580 lug.). Pça. Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 3397-0300. Hoje, 21 h. R$ 30 a R$ 1.200. Ingressos esgotados

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