Pétala Lopes
Pétala Lopes

Eduardo Camargo, com a banda Mawu, busca a sonoridade contemporânea do Brasil

Com o disco Chamamento, o grupo faz a união entre a samba e a guitarra

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2017 | 05h00

A porta de entrada do primeiro disco do quarteto Mawu é a figura imponente da capa do disco. Sujeito de pele negra e os olhos opacos, vestido de pontilhados coloridos. Com essa imagem e uma faixa de introdução quase toda instrumental – os vocais estão escondidos por distorções –, Eduardo Camargo, o músico de 29 anos e líder do quarteto, abre seu trabalho mais pessoal.

Ao decidir abrir seu estudo pela música brasileira com as raízes africanas, ele indicou o primeiro passo a ser dado para o ouvinte. Depois, quem aperta o play tem a função de entender importância dada à guitarra e aos ilús tocados por músicos pernambucanos, ao samba e ao cancioneiro de Dorival Caymmi. Camargo escancara a porta do labirinto e indica o primeiro passo, mas só. O disco Chamamento é um estudo complexo sobre a música brasileira contemporânea, com distorções e gingado. 

O álbum chega às plataformas digitais nesta sexta, 7, mas pode ser ouvido antes no portal do Estado. O show de lançamento ocorre no dia 14, na Casa do Mancha, localizada na Vila Madalena, em São Paulo. 

“Acho que começar pela influência africana é partir do início da cultura brasileira também”, diz Camargo, cujo trabalho como músico de estúdio e de palco inclui musicalidades abordadas no disco, como samba, gafieira e jazz. Com Mawu (lê-se “mavu”), ele se dá a liberdade para experimentar. 

Chamamento surgiu do acaso, de um papo com o amigo Guilherme Jesus de Toledo, produtor do selo Risco, ao final de uma apresentação da banda australiana Hiatus Kaiyote no Sesc Pompeia, dois anos atrás. “Quando você vai gravar algo com a gente?”, questionou Jesus. Camargo, que já buscava um trabalho autoral, topou. 

Gravado em três semanas de estúdio, a estreia de Mawu tem afoxé e rock – ou ocupa um espaço na área cinzenta que existe entre os dois pontos. “Fui educado musicalmente na guitarra”, explica Camargo. O instrumento elétrico tem espaço, mas não é protagonista. O samba tem força com as letras de Kike Toledo, compositor da Vai-Vai, que assina os versos do disco. Chamamento é mutante, como a arte criada aqui, como o mar que vem e vai de Caymmi. 

Ouça, abaixo, 'Chamamento': 

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