Edu Lobo e jurados enaltecem MPB

Trinta anos de carreira, composições com Vinícius de Moraes, Ruy Guerra, Chico Buarque, autor de diversas peças de teatro, de trilhas para cinema, lirismo e sofisticação reconhecidos por público e crítica. Edu Lobo é homenageado no Teatro Cultura Artística, não só por suas composições musicais, mas principalmente por toda a influência cultural que deixa, através de sua carreira, na atividade intelectual brasileira. A difícil tarefa de escolher alguém que pode vir a ser tão grande como ele, é essa a responsabilidade dos 11 jurados que decidem o ganhador do 3.º Prêmio Visa MPB de Compositores. A maior contribuição do prêmio, além dos R$ 50 mil e do CD gravado pela Eldorado, acaba sendo a exposição que o eleito acaba tendo na mídia. É só lembrar que o pianista André Mehmari, o baixista Célio Barros e a intérprete Mônica Salmaso foram revelados nas edições anteriores do Visa (ainda que Mônica, por exemplo, já tivesse lançado dois CDs, e ainda assim fosse desconhecida de grande parte dos apreciadores de MPB). ?O Brasil vai muito bem de músicos, compositores e intérpretes. O que vai mal é a mídia?, opina o crítico do Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo Mauro Dias. Ele acha que a importância de festivais como o Visa é justamente a exposição falha da imprensa e do mercado em relação a estas pessoas. O compositor Arrigo Barnabé concorda e faz uma dura análise da situação atual do espaço da música brasileira no mercado nacional. ?Hoje há por parte das gravadoras uma censura estética muito pior que a censura militar da década de 70?, afirma Arrigo.A Dra. Walnice Nogueira Galvão, também jurada na noite e professora Titular do Departamento de Teoria Literária da USP, confirma Arrigo com uma forte crítica às gravadoras: ?Elas transformaram o ouvido do público brasileiro em pinico?. Segundo ela, a música popular brasileira é das mais ricas do mundo, e os músicos brasileiros vivem sendo requisitados mundo a fora, mas acabam não sendo estes os mesmos que chegam aos ouvidos do grande público. ?Por isso que iniciativas como o Prêmio Visa devem ser estimuladas, pois divulgam estas pessoas tão importantes para nosso cenário cultural?, finaliza.Como caminho para que os compositores brasileiros atinjam suas metas, o crítico de música do jornal Correio da Bahia e colaborador das revistas Showbizz e Palavra, Hagamenon Britto, aconselha os compositores novos a procurarem caminhos alternativos, a exemplo dos músicos de pop rock, para alcançarem seus objetivos. ?Festivais como o Visa ajudam, mas como somos carentes também de concursos como estes, os compositores têm que ir atrás de outros meios?, diz Britto, que também faz parte do júri da noite.

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