Editora Vitale relança o "Melhor da MPB"

Nos anos 80, quando ainda não se usava lançar songbooks de nossos grandes compositores, o maestro e professor Mário Mascarenhas apareceu com a novidade. Publicou a coleção O Melhor da Música Popular Brasileira, dez livros de partituras para piano e violão, cada um com cem músicas, entre as de maior sucesso no século 20. A coleção virou um best seller com 100 mil cópias vendidas, mas deixou de ser reeditada nos anos 90. Agora, a Editora Vitale resolveu relançá-la, em versão compacta e facilitada. Serão três livros, cada um com 300 músicas. O primeiro saiu em dezembro, com 2 mil cópias e vendeu um terço disso. O livro vem com algumas modificações em relação à coleção dos anos 80. A principal é o público alvo. Antes, os livros eram destinados a músicos profissionais (ou, ao menos, com bastante conhecimento e desenvoltura) e as partituras para piano respeitavam integralmente as harmonias e minúcias criadas pelos compositores. Nessa versão, destinada a músicos amadores, que gostam de levar o violão para animar festas, há apenas a letra das músicas e a cifra para violão, revista pelo músico Cláudio Rodinick, com o objetivo de não complicar a vida do violonista amador. Até o formado ajuda. Um ou outro músico mais ortodoxo poderá reclamar, mas o público em geral está adorando. "Desde o primeiro lançamento, houve essa reclamação de quem não era músico profissional. Faltava um livro de letras e cifras de violão para quem quisesse tocar sem maiores compromissos", explica o diretor da Editora Vitale, Fernando Vitale, ele mesmo um músico amador, em outros tempos. "Por esse mesmo motivo, tiramos da seleção original de Mário Mascarenhas as músicas instrumentais. Quem quiser tocar choros e outras músicas sem letra tem a partitura normal. Essa é para quem gosta de cantar e fazer música informalmente." Nessa primeira seleção, predomina o ecletismo, que vai do início do século 20 aos anos 80. Tem desde Ô Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, considerada a primeira música feita para o carnaval, até Como uma Onda, rock/bolero de Lulu Santos e Nelson Motta, um dos primeiros hits da dupla. No meio, tem um pouco de tudo: os clássicos de Tom Jobim (Águas de Março, Garota de Ipanema, Água de Beber, Se Todos Fossem Iguais a Você), de Chico Buarque (Carolina, Gente Humilde, Noite dos Mascarados, Quem Te Viu Quem Te Vê), de Caetano Veloso (Alegria Alegria, Meu Bem, Meu Mal e Força Estranha, mas falta Sampa) e de João Bosco e Aldir Blanc (O Bêbado e a Equilibrista e Dois pra Lá, Dois pra Cá). Não faltam também aqueles clássicos como Aquarela do Brasil (Ari Barroso), Aquele Abraço (Gilberto Gil), Conceição (Dunga e Jair Amorin), Carinhoso (Pixinguinha e Braguinha), Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico) e Mania de Você (Rita Lee e Roberto de Carvalho). Quem nunca se sentou em volta do violão, regado a algum tipo de álcool de primeira ou última qualidade, para cantar algumas dessas músicas atire a primeira pedra. "Procuramos incluir nesse primeiro volume as músicas mais populares", explica Vitale. "Nos próximos dois livros, que saem ainda este ano, vêm outras 600 músicas." Mascarenhas foi o professor de música de toda uma geração brasileira. Nos anos 40 e 50, quase ninguém se dedicava à profissão sem ter passado pela academia. Na época, o violão não era tão popular e a moda era piano e acordeão, instrumentos que ele ensinava, pacientemente, para desespero dos vizinhos dos alunos. Com a bossa nova, no fim dos anos 50, o estilo dele ficou meio em desuso, mas a competência voltou a ser reconhecida nos anos 70. Ele morreu em meados da década passada, deixando uma vasta obra, em que a coleção O Melhor da Música Brasileira era o maior sucesso. Na Editora Vitale, Mascarenhas era um consultor informal. A casa, que existe desde 1923, cuida dos direitos autorais de 5.400 compositores, entre eles Edu Lobo, Eduardo Dusek, Patápio da Silva e Ernesto Nazareth. Nos anos 90, passou a lançar livros com partituras e cifras dos artistas, com vendagens expressivas para o gênero. "Normalmente, esse tipo de livro vende entre mil e 2 mil cópias por ano, mas não sai de catálogo porque sempre tem demanda", diz Fernando Vitale. Ele lançou coletâneas como as músicas de Gonzaguinha, Barão Vermelho Legião Urbana, Choro e Chiquinha Gonzaga (os três últimos são os best sellers, com 20 mil exemplares vendidos). Este ano, está prevista uma coleção de músicas cantadas por Carmem Miranda (organizada por Eduardo Dusek, para janeiro ou fevereiro), Nana Caymmi e Beth Carvalho, além dos outros dois volumes da versão compacta de O Melhor da Música Popular Brasileira. "Quem sentir falta de canções nesse primeiro volume pode esperar que elas estarão nos próximos", promete Vitale.

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