REUTERS/Mario Anzuoni
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Ed Sheeran reinventa o show de um homem só em São Paulo

Centralizadora em sua imagem, a turnê de Divide desmonta a máxima de que artistas para estádios estão em extinção

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2017 | 23h18

O nome da turnê é Divide, o símbolo é um sinal matemático de divisão mas poucos shows são tão centralizadores quanto o de Ed Sheeran. Ele chegou ao palco do Allianz Parque pontualmente, às  20h, com seu violão semi picollo de cordas de nylon, camiseta preta e calça azul escura que realçavam as tatuagens coloridas dos braços e o cabelo laranja. Era o cenário que comporia a noite. Sheeran e seu violão o tempo todo, sem banda ou convidados a dividir absolutamente nada.

Sheeran está reinventando o show para massas em época de crise. As 40 mil pessoas que esgotaram os ingressos estavam em suas mãos desde o início. Ou antes mesmo disso. Gritavam "Ed, eu te amo", algumas às lágrimas, antes mesmo de sua chegada.

Ele vem então e inicia um ritual que se repetirá antes de todas as canções. Primeiro, toca a levada ao violão e coloca aquilo em looping, repetição. Depois bate no corpo do violão conseguindo o grave que sairia do bumbo de uma bateria e faz o mesmo.

A próxima sobreposição pode ainda ser uma ou outra frase nas regiões agudas do instrumento. Seu violão, assim, vai ganhando o comportamento de uma pick up. E Sheeran, se tornando um DJ que canta.

Ótimo para ele e seu empresário, que não precisam dividir o cachê com mais ninguém. Para a música, que sai em formatos engessados não permitindo nem um respiro de improviso, nem sempre.

Seria uma deficiência em outro mundo, mas no universo de Sheeran, não é. Sua plateia vibra com Erasure, The A Team, Castle on the Hill e todo seu equilíbrio entre o pop lacrimoso e o baladeiro sem lhe exigir nada mais.

Ele tem carta branca para estar ali sozinho, assumindo o hibridismo entre o homem real e a máquina, com a diferença de que mostra o tempo todo como é que se faz a mágica. Se era difícil de produzir uma nova banda para encher estádios, imagine nomes que não precisem delas para fazer o mesmo.

Ed Sheeran está só, no palco, nos telões e no que faz. Nenhum outro artista de sua idade encara 40 mil pessoas por mais de 1h30 resolvendo o problema apenas com um violão. Sim, um violão pick up, mas um violão.

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