Stephan Solon/Move Concerts
Stephan Solon/Move Concerts

Ed Sheeran em São Paulo: o homem tem uma fórmula e sabe usá-la

Músico britânico se apresentou no Allianz Parque nesta quarta-feira, 13, na segunda passagem da turnê Divide pelo Brasil

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2019 | 23h19

Ed Sheeran tem uma fórmula: ele chega sozinho, com um violão, dois microfones no palco, e uma loop station (pedais que gravam os sons que ele produz, e depois repetem, em loop). É assim que ele faz a turnê Divide, e foi assim que ele tocou no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de quarta-feira, 13.

O show era uma apresentação extra de Sheeran na cidade, já que para a quinta-feira, 14, os ingressos esgotaram. Ele ainda faz show em Porto Alegre, no dia 17, nessa que é a segunda passagem da turnê pelo Brasil (ele veio em 2017).

Ele caminha para ter a turnê mais lucrativa de todos os tempos (na estrada desde o lançamento do disco de mesmo nome, há 2 anos), posto que ocupou em 2018 com certa folga para o segundo colocado (foram US$ 432 milhões, 110 a mais do que Taylor Swift).

A notícia é ótima para ele e para seu empresário, que não precisam dividir o lucro com ninguém porque, bem, Sheeran fica solitário no palco por duas horas.

E não é pouco: manter 41 mil pessoas atentas (ou mais ou menos, veja abaixo nesse texto um rápido comentário sobre a pista premium) só com um violão (e, sim, um aparato luminoso e telões gigantes) é andar em estrada esburacada.

Ele passeia pela carreira (e conta como há 10 anos ainda era um super jovem músico de pubs, tocando para audiências de duas dúzias), faz uma versão de Nina Simone, e distribui as canções do Divide.

Em um momento, ele fala que 98% do público sempre está muito envolvido com os shows que faz pelo mundo, mas existem 1% de pais e 1% de namorados que não curtem muito sua música e ele entende. O que ele ficaria feliz de saber é que rolou um pedido de casamento (aceito) durante uma das canções.

A fórmula da loop station funciona bem durante o show, muito bem em algumas ocasiões, como I See Fire, e muito mal em outras, como Bloodstream (em que os loops crescem a ponto de se tornar uma massa indistinguível, barulho por barulho).

No bis, ele volta com uma camisa da seleção brasileira para tocar o megahit Shape of You usando o sintetizador pela primeira vez (e é ali que fica claro como o show poderia ser mais poderoso com mais gente no palco, tocando instrumentos e bases).

Sheeran faz ainda os dois shows no Brasil, segue pela América do Sul e depois leva Divide para palcos de África, Ásia e Europa.

Um comentário sobre a pista premium: esse é o tipo de show que prova como a pista premium é uma espécie de anomalia (certamente muito lucrativa para o contratante do show, e claro, artista e empresário). Sheeran tem dezenas de baladinhas (e as versões solo-acústicas de algumas são sonolentas, sejamos sinceros), e são nelas que o desinteresse absoluto de uma parte significativa do público da pista premium fica evidente. É gente falando o tempo todo (de pessoas lá fora, de trabalho, de comida, de balada,  os assuntos são variados), vendedor de hot dog anunciando seus produtos aos berros e até quem ouve música no celular no meio do show (sim). Quem perde são os fãs que pagaram um salário mínimo para estar ali (numa seção que oferece conforto mas nunca lota; o ingresso era R$650) e os fãs que se sacrificam para chegar cedo e pegar um lugar na grade da pista normal, distantes do palco (os fãs reais, disso não há dúvida). É sempre assim. A ideia não é ser o chato que briga e faz “shiu”, mas um pouco de bom senso nunca é demais.

Passenger abriu o show com graça e simplicidade

Ed Sheeran trouxe um amigo para abrir seus shows na América do Sul: o inglês Michael Rosenberg, o Passenger (o relato é que ambos se conheceram em um show num porão na Inglaterra há 11 anos, quando Sheeran tinha 16 e Passenger era um músico de rua prestes a desistir da profissão).

Dez discos e bilhões de visualizações no Youtube depois, o inglês enxugava as lágrimas no palco do Allianz, tocando para um estádio ainda meio cheio, mas com simpatia para o ato de abertura.

“Sei que vocês esperam para ver o artista principal, chega um cara qualquer pedindo para vocês cantarem junto, ‘f..-se né?”, disse. Depois, bicando uns goles de uísque num copo de cerveja (“suco de maçã escocês”), repetiu que era inacreditável ter chegado aqui.

Ele canta músicas do disco novo, Runaway (como a bonita Hell or High Water), um cover de Simon and Garfunkel (sim, The Sound of Silence, numa versão tocante; ele pergunta ao público quem já ouviu falar em Paul Simon e a resposta é quase nula, para decepção do próprio) e Let Her Go – seu hit de 2012 que hoje tem 2,3 bilhões de views no Youtube.

Passenger era o nome de sua banda, mas só sobrou ele no palco, e existe uma qualidade criativa na simplicidade da apresentação, voz, violão e músicas pop. E ponto.

Passenger volta a São Paulo no dia 10 de março para um show solo, no Cine Joia.

 

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