Ed Motta retoma anos 60 e 70 em novo disco

O swing voltou. Depois de três anos, Ed Motta lança Segundas Intenções do Manual Prático..., uma espécie de segundo volume de seu Manual Prático Para Festas, Bailes e Afins - vol. 1, de 1997, que já nasceu com a promessa de continuidade. A turnê de shows sai em novembro.O novo CD continua ambientado na década de 60 e 70, uma "opção estética", como ele gosta de dizer, e tem um pouco de todos os seus outros trabalhos. Em tempos de revalorização da black music, Ed assume o que mais lhe agrada em matéria de "novidade": os relançamentos. Neste disco, ele se firma como arranjador, além de tocar piano, guitarra, percussão e teclado, resgatando seu pop mais refinado, recheado de referências que vão do jazz à bossa nova, passando pelo funk. Ed Lincoln, o rei dos bailes, faz uma participação especial no disco.Pela capa já dá para intuir seu conteúdo: em estilo HQ da década de 60, o encarte art déco traz o grafismo e os símbolos desse período, como os automóveis e a fachada do extinto cinema Carioca, na Tijuca, bairro da infância de Ed Motta - uma influência direta de sua paixão pelo cinema. O novo disco, assim como o primeiro, transcende referências e mergulha no passado. "Quando eu ponho ´estereofônico´ escrito no disco (desde o início dos anos 60 que os discos são gravados em som estéreo) é mais um elemento estético, um certa dose de ingenuidade que eu gosto desse período", explica Ed.A banda é a mesma do vol. 1, que ensaiou muito antes de entrar em estúdio para gravarem todos juntos a base do CD, diferente das bases eletrônicas atuais, onde os músicos gravam separadamente. "Procurei a energia de todo mundo tocando junto, algo que a gente encontra em praticamente toda a produção anterior aos anos 80", conta Ed Motta. Com ele, estão de volta Renato "Massa" Calmon na bateria, Marcelo Mariano no baixo, Glauton Campello no piano Rhodes e Paulinho Guitarra.Mas a grande retomada do disco, é a parceria com Fábio Fonseca, o "mago dos sintetizadores analógicos". Desde o primeiro trabalho de Ed, Conexão Japeri (1988), eles não trabalhavam juntos num disco. Com importância máxima na sonoridade, os teclados de Fonseca encontram o timbre correto para a tecnologia da década de 60 e 70. "Só o Fabio sabe pilotar essas máquinas; se ele sair da direção o avião cai", brinca Ed. O CD foi gravado com um dos primeiros teclados analógicos a chegar ao Rio de Janeiro, um Arp 2600 - uma relíquia nunca mais usada em gravações comerciais.Quem complementa o ambiente nostálgico é o técnico Marcelo Sabóia, filho de Ed Lincoln. Foi o responsável não só pelo som mas também por aproximar Ed Motta de seu ídolo e grande referência, que se mostra clara no piano rítmico da faixa Drive me Crazy. "Ele é o inventor da maneira rítmica de tocar piano no Brasil, ao lado de Walter Vanderlei e João Donato."Parcerias - Influências, Ed Motta tem de sobra. Com um acervo que chega a mais de 10 mil discos de vinil e uns "poucos" 4 mil CDs, Ed ouve de tudo. Busca resgatar o seu pop com o qual havia se distanciado em 1992 em Entre e ouça, seu disco mais experimental - o que lhe custou uma má recepção de crítica e público. "A minha linguagem é pop", garante. Sua fama de egocêntrico não o preocupa "Ao contrário do que se diz, eu não tenho uma vida pessoal, particular diferente", diz. "O que eu faço é colocar no meu trabalho minha vida pessoal para fora, e a sinceridade muitas vezes soa bombástica", rebate.As parcerias voltam com tudo neste novo CD. Rita Lee, em Colombina, traz uma marchinha carnavalesca. Ronaldo Bastos assina o samba-funk Dez mais um Amor, o rhythm´n´blues Uma Vida Inteira Pra Mim,a primeira letra que divide com Ed Motta, e Outono no RioÀ Deriva, e Chico Amaral, do Skank, em Mágica de um Charlatão.Entre as novidades, além da participação de Ed Lincoln em Conversa Mole, este segundo volume traz a estréia do roteirista Doc Comparato, que Ed conheceu no Clube de Degustação, como letrista em Assim Assim.De um disco que seria lançado nos EUA, mas nunca saiu, vem mais uma canção com letra de Blake Amos, Suddenly You, a primeira canção que Ed Motta grava em inglês. "É um blues", define Ed. "Uma coisa que fica muito feia em português, assim como o samba em inglês."

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