Ed Motta leva jazz ao palco

Ed Motta, em Dwitza, seu mais novo CD, segue o caminho sofisticado e reflexivo do jazz. O próprio espaço escolhido para a apresentação, o Sesc Vila Mariana, indica o perfil do show. Esse lado jazzista de Ed Motta não era segredo, mas até agora, como nunca tinha tomado o papel principal em sua música, ainda não havia revelado sua verdadeira dimensão. Sua primeira paixão no jazz foi Miles Davis. As noites desta sexta-feira até a de domingo, que marcam o lançamento de Dwitza em São Paulo, são definidas por Ed Motta como "uma caverna cheia de novidades", tanto para o público quanto para ele mesmo. A primeira é o repertório, centrado nos temas do disco, conduzidos por afinadíssimos vocalises. "A forma de eu me expressar é, antes de tudo, com notas, não com palavras", explica o artista, falando sobre sua opção por cantar sem letras. Dentre as composições novas, há somente duas exceções a esse formato: Doce Ilusão e Coisas Naturais, que contam com letras assinadas por Nelson Motta e Ronaldo Bastos, respectivamente. Outra novidade é a performance de Ed Motta como instrumentista. Pela primeira vez na sua carreira ele vai tocar durante um show inteiro, revezando-se entre o piano e a guitarra semi-acústica. A pequena banda de apoio levada para o palco, com apenas três músicos, além de Ed Motta, também é incomum nos seus shows. Foi necessária uma adaptação dos arranjos do disco para essa formação, que vai substituir, por exemplo, os 17 músicos usados na faixa Instrumetida. Ed Motta sabe que Dwitza é um álbum que dificilmente terá grande repercussão no Brasil. Por esse motivo, há uma evidente preocupação pedagógica nas composições, que remetem claramente a uma série de referências importantes do jazz, como Herbie Hancock ou o brasileiro Moacir Santos. O esforço para apresentar uma música diferente tem aparecido em várias iniciativas de Ed Motta, mas sobretudo no programa de rádio Empoeirado, que mantém em seu site (www.edmotta.com.br). No programa, o artista conta histórias do jazz, do funk e do soul e mostra gravações importantes recolhidas na sua coleção de LPs. Para Ed Motta, é no Empoeirado que o público mais se aproxima dele, pois está ali o que ele mais gosta e que mais faz no seu dia-a-dia: escutar e estudar música. Serviço: Ed Motta no show Dwitza. Teatro do Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141, tel. 5080-3000). Sexta-feira e sábado, às 21h, domingo, às 18h. Ingresso: R$ 25.

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