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Eclético, festival traz bandas nórdicas a SP

Evento nesta quinta, 12, no Sesc Pompeia mistura música folk, soul e eletrônica de grupos de Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 09h32

A música da artista dinamarquesa Lydmor, 25 anos, flutua entre o sonho instaurado pelo piano carregado de toques eletrônicos e a realidade de suas letras cheias de charme e poesia – o que não é exatamente a coisa mais comum de se ouvir quando se trata de música eletrônica – sobre sexo, drogas e desamores. Ela desembarca no Brasil nesta quinta-feira, 12, para tocar no eclético festival Dias Nórdicos, no Sesc Pompeia.

Na sua segunda edição brasileira, o festival se propõe a mover músicos que estão se destacando na Escandinávia para a América Latina – e Lydmor representa bem a música “melancólica e nostálgica” de seu país, como ela própria define. Por lá, lançou seu primeiro álbum, A Pile of Empty Tapes, em 2012, e foi alçada à condição de estrela do eletropop nórdico quase imediatamente. Y, seu segundo e mais consistente esforço, chegou em maio. Na semana passada, lançou com Bon Homme o álbum Seven Dreams of Fire. Agora, vem pela primeira vez à América do Sul.

“Estou completamente impressionada com as reações dos fãs na América do Sul”, diz a cantora, cujo nome verdadeiro é Jenny Rossander, ao Estado. “Há tanto amor no ar e eu já encontrei pessoas incríveis. Não tinha ideia de que havia fãs por aqui.”

Lydmor começou a fazer música “muito jovem”, e, aos 14, já se sentia confortável o suficiente na frente de um piano para compor canções. O início precoce lhe deu liberdade para criar um estilo próprio – muito embora Björk seja um ponto claro de inspiração, aquela mistura criativa de música pop e eletrônica. “Meus pais não fazem música, mas eu vim de uma família muito criativa, em que todo mundo lê livros e a criatividade foi uma parte importante da minha infância”, comenta a cantora – em suas fotos recentes nas redes sociais, ela é vista lendo uma edição gigantesca de 2666, o grande romance do chileno Roberto Bolaño.

“Durante a feitura desse álbum (Y), passei por muitas mudanças na minha vida. Mudei para Copenhagen, me apaixonei, desapaixonei, fiz as primeiras turnês internacionais, comecei a escrever um livro”, explica. O piano com várias camadas eletrônicas dá uma aura terna a letras que dizem coisas como: “há um monstro barulhento dentro de mim”, “algumas drogas podem ajudar agora” e “eu estou superficialmente apaixonada por você”.

“Sou uma compositora muito emocional. Faço minhas canções nas esquinas da vida, à noite, pela manhã. Nos tempos que parecem ‘entre’ outros tempos. As letras são todas misturas de ideias, pensamentos e histórias que eu coletei pelas turnês e pela vida. Claro, há sexo e drogas. Mas também há amor e beijos, desejo e nostalgia. É tudo parte da vida saturada que vivemos.”

Lydmor toca às 22h05. Quem abre o festival, às 20h30, é o norueguês Moddi, que, com acordeão, bandolim e violão, faz o que se convencionou chamar indie folk (cujo maior expoente pop é o Mumford and Sons). Às 21h15, os suecos Alice Boman e Hey Elbow dividem o palco. A banda é um trio que junta uma percussão quase africana com muitas camadas de sintetizadores e vocais, e a voz de Alice Boman e suas interpretações de um soul contemporâneo lhe renderam o título (exagerado) de “Billie Holiday do século 21” em seu país. Quem encerra a festa, às 22h50, é o finlandês Hisser – ex-vocalista da banda Disco Ensemble, um rockzinho emocore de início dos anos 2000 que foi hit na Finlândia e tocou nos grandes festivais da Europa. Mas ele, agora, pula de cabeça no synthpop tradicional.

FESTIVAL DIAS NÓRDICOS

Sesc Pompeia. Choperia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Quinta-feira, 12, a partir das 20h30. R$ 12/R$ 40.

Ouça canções das bandas:

Moddi

Alice Boman

Hey Elbow

Lydmor

Hisser

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