Ecad tem arrecadação recorde

Conhece Elias Muniz? Ou CarlosRoberto Piazzolli, o Pisca? E César Augusto? Pois eles são, ao lado de Djavan, Roberto Carlos eCaetano Veloso os compositores que mais faturaram com direitosautorais em 2001, conforme balanço do Escritório Central deArrecadação e Distribuição de Direitos Autorais, o Ecad. Pisca, por sinal, é o campeão. É de sua autoria os hitsdo pop sertanejo Pare, na voz de Zezé di Camargo e Luciano;Agarrada em Mim, gravado por Bruno e Marrone, e A Dordesse Amor, registrado pelo KLB. Elias Muniz também compõepara Bruno e Marrone (Dormi na Praça). Já César Augustoataca de pagode. É dele, por exemplo, o hit O Amor, Você eEu, do Só Pra Contrariar. Mais surpresas com o ranking das músicas mais tocadas.Quem de Nós Dois, na voz da mineira Ana Carolina, é a grandecampeã. Aparecem atrás dela Lenda (Sandy & Júnior),Esperando na Janela (Gilberto Gil - Rio Negro/Solimões),Seus Beijos (Daniel), Antes de Voltar para Casa(Zezé DiCamargo e Luciano) e Rindo à toa (Falamansa). Axé em baixa - O balanço do Ecad confirma o predomínioem 2001 do pop sertanejo e do pagode romântico - ou o contrário.Mas também guarda um lugar de destaque para o rótulo MPB.Confirma também a baixa que atravessa o axé - tendênciarelativamente contrariada em época de carnaval. E, ainda,reafirma a larga vantagem da música feita no Brasil sobre aprodução internacional: das 50 obras mais tocadas no ano passado somente duas vieram de fora. São elas: Love by Grace,interpretada por Lara Fabian (tema do personagem de CarolinaDieckeman em Laços de Família), que aparece em 19.º lugar; eSave Me, do Hanson, a 28.º colocada. São as execucões em rádio que mais contam na arrecadaçãode direitos autorais. O que aproxima este ranking, em parte, deum campeonato de jabaculê - pelo qual as gravadoras conseguem"emplacar" nas FMs a "música de trabalho" de um artista.Além das execuções em rádio, contam para a arrecadação asmúsicas tocadas em programas de TV, música ao vivo em bares erestaurantes e música ambiental. Trata-se da arrecadação recorde de toda a história doEcad, fundado há 25 anos. E alcançado num dos piores anos para aindústria fonográfica - brasileira e mundial -, quando seregistrou uma forte desaceleração nas vendas. Enquanto isso, oEcad arrecadou R$ 157 milhões, 40% a mais que no ano anterior equase o dobro do que foi levantado em 1997. Reforço - A explicação para o Ecad bater recordes numano negativo para indústria está no fato de que, conforme suaassessoria, o próprio órgão vem reforçando a cobrança dosdireitos. Na Justiça, o Ecad movimenta 7 mil processos e festejavários acordos - como o que fechou com a direção do Rock in Rio.Há também as campanhas de divulgação em grandes festas, como ocarnaval, e os investimentos no próprio órgão - parainformatização e treinamento. Mesmo assim, os esforços do Ecad não tornaram a cobrançados direitos autorais no Brasil menos polêmica. Embora ninguémnegue a existência do direito, há muita divergência sobre osvalores e as formas de pagamento - obrigatório, por sinal.

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