Eagle-Eye Cherry lança novo disco em SP

Ele é filho do jazzista de vanguarda Don Cherry (1936-1995), peculiar trompetista de Oklahoma, e irmão mais novo da diva do R&B, Neneh Cherry. O cantor Eagle-Eye Cherry (o nome é de batismo e significa ´Olho de Águia´ Cherry) sempre tem de aturar essas credenciais que vêm antes do seu próprio nome, como se ele fosse "apenas" um parente daquelas estrelas da família. "Mas isso não me incomoda, em absoluto. Sempre serei o irmão de Neneh, sempre serei o filho de Don. Não sei se fazem esse link com os Cherry com intenção depreciativa, mas eu fico lisonjeado. Eu tenho orgulho de pertencer a essa família, de ter gente com esse talento no sangue", disse Eagle-Eye, falando por telefone, da Suécia, onde vive. Ele se apresenta nesta sexta-feira no Credicard Hall, em São Paulo, lançando o seu terceiro disco, Sub Rosa, o melhor de sua carreira. Eagle-Eye Cherry, de 32 anos, já esteve no Brasil, cantando no Free Jazz Festival. Na época, seu repertório era ainda embrionário. Sub Rosa (Universal Music) traz belas faixas, como a balada This Paralysis, que abre o disco, ou o rock Feels so Right. O estilo de Eagle-Eye, hoje, é um pouco parecido com o de Ben Harper, mas tem outro tempero, mais europeu. Leia abaixo entrevista com o cantor.Seu pai, Don Cherry, era muito amigo de Naná Vasconcelos. Você o conheceu, quando criança?Eagle-Eye Cherry - Claro que sim. Naná é como um tio para mim. Da última vez que estive aí, para o Free Jazz Festival ele subiu ao palco comigo, tocou comigo. Meu pai o considerava como um irmão. Seu pai era um jazzista de grande reputação. Você não foi influenciado pelo jazz?Na minha casa tinha um monte de discos, meu pai era um grande ouvinte. E não gostava só de jazz. Eu gostava dos discos de Neil Young e dos Talking Heads. Gostava também de The Clash. Também gosto do blues. Hoje em dia, ouço muita coisa, mas sempre prefiro os artistas que estão em busca de novos sons, de novas misturas, como o Massive Attack, como Björk. O que quer dizer o título desse seu novo disco, Sub Rosa?Literalmente, é "debaixo da rosa", que é uma expressão que serve para designar algo que está sendo dito em segredo, entre quatro paredes, sussurrado. É mais ou menos como eu fiz o disco, de forma íntima, como se estivesse confessando algo para mim mesmo. Eagle-Eye Cherry - Nesta sexta-feira às 22h. Credicard Hall: Av. Nações Unidas, 17.955, São Paulo, tel. 6846-6010. De R$ 30 00 a R$ 100,00.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2003 | 15h37

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