DVD traz Hendrix seis semanas antes da morte

Em julho de 1970, apenas seis semanas antes de morrer, o guitarrista Jimi Hendrix colocou sua turnê The Cry of Love a serviço do cinema, no filme Rainbow Bridge. A gravação foi feita em Maui, no Havaí, no alto do vulcão Haleakala, e conta com depoimentos do guitarrista e canções como Dolly Dagger e Pali Gap na trilha sonora. O diretor era Chuck Wein e o filme - note bem, não é um documentário - chegou a ser relançado, um ano após a morte de Hendrix, sem as sessões feitas pelo guitarrista no Havaí, mas acrescida de inúmeras performances de 1968 a 1970. Agora, Rainbow Bridge - o original, de 1970, com 125 minutos - volta à pauta do dia com o lançamento do DVD da ST2 Music. A maioria dos fãs não gosta dessa fita porque Hendrix só aparece na última meia hora do filme e alguns até pediram, durante longo tempo, para que suprimissem os 50 minutos iniciais e fossem direto ao show. A história mostra uma garota, interpretada pela atriz negra Pat Hartley, que vai ao Havaí para ver uma apresentação de Hendrix em uma comunidade hippie, Rainbow Bridge Vibratory Color-Sound Experiment. Na banda de Hendrix, os espetaculares Mitch Mitchell e Billy Cox. O repertório do show no vulcão é de fato excepcional: Hey Baby (The Land of the New rising Sun), Foxy Lady, Hear My Train A Comin´, Voodoo Chile, Purple Haze e In from the Storm. É um divertido passeio pela maluquice contracultural dos anos 70. Uma voz, no início do filme, adverte que aquilo não tinha script. Que tinha sido feito por pessoas em contato com seus irmãos do espaço sideral. A atriz Pat Hartley viaja de Los Angeles para San Diego e depois para o Havaí. Lá chegando, enfronha-se na "comunidade" e o que se segue é uma longa digressão "cabeça" sobre temas como sexo livre, drogas, a procura da profundidade espiritual, etc. e tal. Nas entrevistas que permeiam o filme, Hendrix fala de coisas incompreensíveis, como experiências extra-sensoriais, e chega a prever a própria morte. Felizmente, depois de alguns imagens psicodélicas e até um climão surf (afinal, estavam no Havaí), o filme chega a Hendrix lui-même, o mito, e à sua música. São apenas 17 minutos de concerto, mas vale a pena. O baixista Cox, da Band of Gypsies, e Mitch Mitchel, do Jimi Hendrix Experience, são os seus partners. Nas semanas que se seguiriam àquela apresentação, Hendrix fecharia sua turnê no Honolulu International Center Arena, em Honolulu. Ali mesmo, participaria de uma festa para celebrar a abertura oficial do Electric Ladyland Studios. No dia 30 de agosto, ele participou de sua última performance no Reino Unido, entrando no palco às 3 horas da madrugada para tocar no festival da Ilha de Wight. No dia 6 de setembro, na Dinamarca, ele sai do palco dizendo "tenho estado morto durante muito tempo". Em seguida, é vaiado na Alemanha, onde faz seu derradeiro concerto no Love and Peace Festival, na Ilha de Fehmarn. O baixista Cox, após uma bad trip de drogas, volta a Londres. No dia 16 de setembro, Hendrix faz uma jam session em Londres no lendário Ronnie Scott´s, santuário de jazzistas. No dia 18, dá entrada já morto no St. Mary Abbot´s Hospital.

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