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Duran Duran acerta o tom entre o pop atual e a nostalgia em novo disco

Grupo lança 14º disco chamado Paper God em 11 de setembro

Pedro Antunes , O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 05h00

Ao longo dos últimos três anos, Roger Taylor, baterista do Duran Duran, sentia um incômodo curioso ao conversar com pessoas do bairro onde mora, em Londres, durante atividades corriqueiras e diárias. “Em 2012, me perguntavam: ‘E aí, o que o Duran Duran está fazendo?’. E eu respondia: ‘Bom, estamos fazendo um disco’. Os anos passaram e me perguntaram de novo e respondia a mesma coisa. Estávamos, afinal, fazendo esse disco. ‘O mesmo disco?’, diziam as pessoas. Elas ficavam espantadas. E acho que eu também”, conta o músico. 

Nesta sexta-feira, 11, enfim, o assunto de Taylor com os vizinhos poderá sair da mesmice, com o lançamento de Paper Gods, o 14.º disco do Duran Duran em mais de 30 anos – a banda começou em 1978, mas a formação clássica, com o vocalista Simon Le Bon, foi encontrada dois anos depois. 

É, pode-se dizer, o terceiro álbum desde o reencontro entre Taylor, Le Bon, Nick Rhodes (teclado) e John Taylor (baixo) e, principalmente, da saída de Andy Taylor (guitarra) da banda, em 2006. Consolidado em quarteto, o Duran Duran tentou se conectar com o pop da forma mais drástica possível. Red Carpet Massacre, álbum lançado em 2007, foi produzido pelo então maior produtor do mundo, Timbaland, e tropeçou nessa desejo de grandiosidade. 

All You Need Is Now chegou às lojas três anos depois, com vigor e uma espécie de volta às origens do Duran Duran. Enfim, o século 21 começou a tratar a banda com o mesmo respeito que tiveram no passado, quando eles lideraram com aquela que foi considerada, nos Estados Unidos, a segunda invasão britânica, nos anos 1980, com seu synthpop, roupas coloridas e maquiagens femininas. 

Para uma banda que vendeu mais de 70 milhões de discos, conseguir voltar a figurar dentro do top 10, com All You Need Is Now, foi um passo importante para que os integrantes readquirissem a confiança necessária para, enfim, lançar um disco digno da grandeza da banda. Paper Gods é esse álbum. 

“Nunca ficamos tanto tempo sem lançar um disco”, diz Taylor. Foram cinco anos no total, um intervalo tão longo que, conta o baterista, se deveu à longa turnê de All You Need Is Now. “Foi um disco muito bem aceito. Fizemos turnês atrás de turnês”, conta. “Depois disso, tínhamos que pensar em um trabalho que fosse capaz de suceder bem aquele disco.” 

Novamente, a banda procurou um produtor no topo do pop para direcioná-los à nova geração. Diferentemente de Timbaland, contudo, Mark Ronson e Nile Rodgers souberam adequar o new wave do quarteto ao pop de pista moderno. Credenciais não faltavam: o primeiro é o gênio por trás dos discos de Amy Winehouse e Bruno Mars, o outro é guitarrista do Chic cuja guitarra encheu de balanço o ótimo disco do robótico duo Daft Punk. 

O Duran Duran também soube escolher as participações deste novo álbum. Mr Hudson, parceiro de Jay-Z e Kanye West no simbólico disco Watch the Throne, que unia os dois rappers, participa da faixa de abertura, que dá nome ao disco. Tudo soa grandioso e explosivo, depois de alguns segundos de calmaria. Para a pista de dança, Last Night In the City, com a canadense Kiesza em dueto com Le Bon, deve funcionar muito bem. Guitarra de Rodgers e a voz de Janelle Monáe trazem um sabor disco aos sintetizadores do Duran Duran em Pressure Off. John Frusciante, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, traz a alma roqueira ao álbum em What Are the Chances?, Butterfly Girl e The Universe Alone. Até mesmo Lindsay Lohan, a atriz que aparece mais nas páginas policiais do que em grandes sucessos do cinema, está em Danceophobia. 

“No nosso álbum anterior, All You Need Is Now, soávamos mais nostálgicos”, explica o baterista. “Queríamos, de fato, voltar a soar como o Duran Duran e aquela foi a nossa saída. Em Paper Gods, sabíamos que poderíamos ir para onde quer que quiséssemos. Isso nos deu muita liberdade. Fomos atrás da música moderna. E é tão diferente de como fazíamos nos anos 1980, não é?” Taylor diz que o grupo deve vir ao Brasil em 2016. A primeira parte da turnê, até o fim deste ano, será por Estados Unidos e Reino Unido. E, por alguns dias, ele terá a chance de falar sobre outra coisa com os vizinhos, porque o novo disco, enfim, saiu. 

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