Moshe Nahomovich
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Dupla israelense canta funk em português e estoura nas paradas de sucessos do país

Canção 'Tudo Bom', de Static e Ben El Tavori, já teve 26 milhões de visualizações

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2017 | 06h02

As palavras aleatórias, proferidas com um português desengonçado, no início, podem até assustar um pouco: “cachaça”, “caipirinha”, “gatinha”, “favela” e “batuque”. Desde junho deste ano, quando a dupla Liraz Russo (o Static) e Ben El Tavori chegaram ao topo das paradas musicais de Tel-Aviv, Israel, com a música Tudo Bom, não se fala em outra coisa no País. Tratados como celebridades, eles são a nova sensação do Oriente Médio. A agenda cheia dos garotos de 26 anos quase não permitiu que eles encontrassem tempo para responder a algumas perguntas da reportagem do Estado. “Nós não começamos a fazer música para ficar famosos. Mas agora que nosso som está fazendo sucesso e atraindo as pessoas, entendemos que faz parte do jogo lidar com a fama.

 Adoramos esse amor, essa energia e o carinho que estamos recebendo dos nossos fãs. Essa palavras da música são muito famosas em Israel. Há brasileiros que moram por aqui. Tem caipirinha e cachaça em todos os bares israelenses. Nós adoramos o significado de ‘tudo bom’, que é muito similar ao jeito que nos expressamos em hebraico, hakol beseder. Nada importa, sempre está tudo bom. Isso foi a inspiração da música”, conta Static.

O flerte com a música brasileira é antigo. A relação de amor começou em meados de 2010, quando Static engatou um romance com uma jovem brasileira. Os seis anos de relacionamento resultaram no aprendizado de algumas palavras em português. “Namorei uma brasileira por seis anos e, durante esse tempo, tive muito contato com a cultura brasileira por intermédio das histórias que ela me contava. A lembrança mais forte da minha memória, durante esse namoro, é quando eu acordava às 8 horas da manhã no sábado com as janelas tremendo ao som da Ivete Sangalo”, diz. Static também conta ter sido adotado por uma família brasileira. Tudo isso porque nas décadas de 1980 e 1990, antes do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ser implantado no País, muitas crianças foram adotadas de modo ilegal.

Além do vocabulário aprendido, Static comenta também que estudou os diferentes gêneros da música popular brasileira. Do funk ao samba, passando pelo axé e o pagode, ele salienta que poucos países ao redor do mundo possuem uma heterogeneidade sonora tão ampla e diversificada. “Como toda a produção da música foi feita sobre ritmos brasileiros, nós aprendemos sobre eles e nos apaixonamos pelo berimbau e também pelo som das batucadas. São sons únicos e decidimos combinar esses elementos com o nosso toque oriental. Ouvimos bastante os artistas do funk brasileiro. Anitta, Ludmila e MC Kevinho são alguns bons exemplos. O ritmo de Tudo Bom é baseado nos bailes funk”, comenta Static.

Números. Mistura de samba e funk, a música Tudo Bom foi lançada no YouTube em junho. O clipe tem mais de 26 milhões de visualizações. O número é assustador, tendo em vista que Israel tem 8,5 milhões de habitantes. Por aqui, a popularidade da dupla cresceu depois que o blogueiro Felipe Neto fez comentários entusiasmados sobre o vídeo em seu canal no YouTube. “Será que eles vão explodir alguma bomba?”, brincou. “Para fazer o videoclipe, também estudamos a cultura brasileira. O carnaval nos encantou com suas cores e sua energia. Assim como a música teve uma inspiração no samba, as cores e os figurinos também nos influenciaram bastante”, complementa Static.

 

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