Jacques Dequeker
Jacques Dequeker

Dupla brasileira Tropkillaz abraça o funk sem perder as próprias raízes

Zé Gonzales e André Laudz, duo lança nesta quarta-feira, 6, o videoclipe da música Loko

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 06h00

Com a voz da cantora Anitta despejada pelo sistema de som ao redor de um dos palcos do Lollapalooza Brasil, realizado em março deste ano, o funk tremeu como o faz nos bailes espalhados pelo País. O terreno aberto do Autódromo Ibirapuera sentiu a pressão dos graves e das batidas – a poeira só não levantou, como se fosse uma música de Ivete Sangalo, porque a umidade daquela tarde impediu.

No palco, diante da massa, estavam Zé Gonzales e André Laudz, a dupla que formou, há seis anos, o Tropkillaz, o mais quente grupo de música eletrônica a frequentar o mainstream e o underground, na mesma medida. 

A música em questão, Vai, Malandra, entrou em altas rotações nas rádios brasileiras e se espalhou pelo mundo ao ingressar nas playlists dos serviços de música por streaming (como Spotify, Apple Music, Deezer, etc.).

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E, com ela, o Tropkillaz deu mais um salto para o mercado externo, tão interessado na música brasileira, principalmente pelas batidas do funk, apontado por especialistas – e por números – como o novo ritmo a ganhar espaço no mercado norte-americano, como ocorreu com o reggaeton, nos últimos anos, graças à força de Despacito, hit latino do porto-riquenho Luis Fonsi transformado em sucesso mundial após o lançamento do remix com a participação de Justin Bieber

Com o Tropkillaz, Gonzales e Laudz haviam identificado como o novo funk, com mais espaços sonoros ou “minimal”, como diz Gonzales, abria possibilidades para a fusão com outros ritmos e gêneros. 

Nesta quarta-feira, 6, a partir das 20h, chega ao YouTube o videoclipe do novo single do grupo, Loko, uma música assinada ao lado do projeto eletrônico Major Lazer e que une, nas participações, o funk de MC Kevinho e o dancehall (uma espécie de reggae mais lento) do jamaicano Busy Signal

Loko segue a tendência iniciada por Milk & Honey, outro single lançado pela dupla com uma participação gringa – no caso, com o cantor de R&B e soul Aloe Blacc. “Ainda gostamos de álbuns”, explica Gonzales. Os planos futuros da banda incluem lançar, de dois em dois meses, em média, uma nova canção. Ao final, eles vão, enfim, lançar o primeiro disco deles, com os singles e outras músicas inéditas. “Vai ser um disco para marcar o fim de um capítulo”, explica Gonzales. “E, depois dele, a gente pode começar a escrever um novo. Não que seja tão diferente, somente uma continuação, mesmo.” 

O funk para gringo. De acordo com dados do Spotify, desde 2016, o funk é o gênero musical em expansão fora do País, com um crescimento de 3.421% – de início, atingindo países da América Latina, seguindo para a Europa e, principalmente a partir do ano passado, com força nos Estados Unidos.

Artistas gringos que sacaram o feitiço das batidas do ritmo largaram na frente nessa futura corrida. Com Tropkillaz e Anitta, Vai, Malandra também é assinada pelo rapper e produtor Maejor – outro sucesso internacional do gênero é Bum Bum Tam Tam, de MC Fióti, que leva também as assinaturas do colombiano J Balvin, do inglês Stefflon Don, do norte-americano Future e do espanhol Juan Magán

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