Hélvio Romero / Estadão
Hélvio Romero / Estadão

Dupla Anavitória volta a São Paulo ainda romântica, mas com os pés no chão

Duo apresenta a turnê do álbum 'O Tempo É Agora' neste sábado, 29

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2018 | 06h00

Os segundos entre o fim da pergunta e o início da resposta de Ana Clara Caetano, a metade do duo Anavitória responsável pela composições cantadas por ela e por Vitória Falcão – canções normalmente doces, por vezes amargas, sempre adoravelmente leves –, sucedem um questionamento a respeito desse novo ciclo da vida delas, com o segundo álbum, O Tempo É Agora, e uma turnê nacional. 

A questão era se ela percebia alguma mudança em si, como compositora, três anos depois da estreia oficial das duas, no EP que levava o nome do duo. Talvez ela compreendesse melhor quem é como artista depois de anos transformadores. Ao lado de Vitória Falcão, Ana viveu a intensidade que o novo mercado da música exige, com uma agenda de shows intensa, singles, participações especiais, clipes.

Foram indicadas o Grammy Latino de Melhor Disco de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, levavam a melhor na disputa de melhor canção com a faixa Trevo (Tu). Chegaram na casa dos milhões de seguidores em Spotify, YouTube, Instagram. Também deixaram Araguaína, no Tocantins, mudaram-se para São Paulo. Aqui, viveram juntas e, agora, começam um processo de mudança (de casa) mais uma vez. Portanto, muito mudou na vida de Ana, a compositora. 

E aquele fragmento de tempo exigido para que a artista formulasse uma resposta dá a impressão de que tudo isso foi revivido naqueles décimos de segundos. Talvez tenha sido, mesmo. Mas Ana toma ar e se coloca a responder, por fim. “Não sei se me entendo melhor como compositora”, ela diz. “Até porque eu acho que ainda não entendo nada nessa vida”. E ri, solta. 

Razões para sorrir, como relacionado acima, ela têm aos montes. Agora, a nova turnê, com base no repertório deste segundo trabalho, chega a São Paulo neste sábado, 29, às 22h, na casa de shows Tom Brasil. 

No exercício de audição de O Tempo É Agora (álbum lançado de forma casada com um filme, uma espécie de autobiografia delas, de nome Ana e Vitória), na sequência de Anavitória, o primeiro disco cheio delas, de 2016, o salto é grande. Isso além da estética, é claro.

Porque o álbum, produzido por Tiago Iorc, outro também empresariado por Felipe Simas, o guru que colocou o Anavitória para funcionar, e Moogie Canazio (cujo currículo inclui de Caetano Veloso a Xuxa) se aproxima do pop gringo, ainda que tenha o folk tropical na sua essência (entenda, com isso, uma sonoridade leve, descalça, com a sola dos pés a roçar na grama verdinha). Entre as referências, a música de rádio dos anos 1980 com artistas contemporâneos (também frequentadores das FMs e responsáveis por lotar estádios), tal qual o Coldplay

Gravado em duas semanas, no estúdio East West Recording Studios, em Hollywood, na Califórnia, entre maio e junho deste ano, O Tempo É Agora é um passo adiante daquilo mostrado pelas gurias até aqui. É um salto no escuro, por vezes frio e solitário mundo da vida adulta. Mais pé no chão quando o assunto é o amor – sentimento, aliás, foco das lentes Ana como compositora. “Vivemos mais coisas”, ela avalia.

“As primeiras músicas, as do primeiro disco, são mais esperançosas, são inspiradas pelo sentimento daqueles meus primeiros namorinhos. É aquela coisa: de pensar que você vai casar, ter três filhos, uma casa na serra... Essa era uma certeza que eu tinha na vida. Ao mesmo tempo, agora, começamos a viver mais coisas. Os pezinhos estão mais no chão agora”, Ana explica. Por fim, arrisca: “é um disco que fala muito de individualidade, de entender aquele meu momentinho, de não deixar ninguém invadir o tempo que precisamos ter para nós mesmos.” 

E não se deixe enganar pela fofura desses diminutivos ditos pela compositora, muito menos abaixe a guarda para ouvir O Tempo É Agora, porque agora a dupla acerta, com um daqueles cruzados de direita no queixo do desavisado. Os tais “pezinhos no chão” também incluem baladas de desamor, de tentativas de reatar relacionamentos que já faliram e há, também, aqueles amores que se desmancharam antes mesmo do casal envolvido perceber. O último caso é retratado na canção mais melancólica do álbum, chamada Cecília: “Te vi escapar das minhas mãos / Eu te busquei, mas / Não vi teu rosto não / Eu te busquei, mas não vi teu rosto / Não”, elas cantam.

E pensar que, neste ano, elas fizeram alguns shows pelo País na companhia de Nando Reis, na celebração do dia dos namorados. 

ANAVITÓRIA

Tom Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, tel. 4003-1212. Sáb. (29), às 22h.  

R$ 90 a R$ 200. Ingressos aqui.

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