Dupla AlunaGeorge, atração do Meca Festival, traz pop futurista ao Brasil

Dupla AlunaGeorge, atração do Meca Festival, traz pop futurista ao Brasil

Banda busca inspiração em bandas dos anos 90 como Destiny's Child e une com influências do hip-hop

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2015 | 03h00

Cada batida está ali por um motivo, as subidas e descidas, tudo tem uma razão de existir. Aluna Francis e George Reid formam o duo com o nome para lá de criativo AlunaGeorge, definido pela BBC como o "som para se ouvir" em 2013, e indicado na categoria de escolhidos pela crítica na premiação britânica Brit Awards. A dupla cresce sem cair nos vacilos da música que segue as regras e o manual de instrução.

Os dois se conheceram em 2009, quando Reid mixou uma faixa da outra banda de Aluna, My Toys Like Me, lapidando os excessos de experimentalismos e acrescentando um pouco do açúcar pop. Foi feita a mágica e nasceu a britânica AlunaGeorge. Com apenas um disco, Body Music, a banda ainda não estourou como se imaginou em 2013, mas conseguiu um 11.º posto nas paradas do Reino Unido e o segundo lugar da lista de artistas novos mais vendidos, de acordo com os dados da Billboard.

Ao lado de La Roux, Years&Years e Citizens!, além de atrações brasileiras (leia mais nesta página), Aluna e Reid estreiam os eventos de 2015 com o Meca Festival, realizado em Maquiné (próximo a Porto Alegre), Estação Leopoldina (Rio) e Hangar 001 do Campo de Marte (São Paulo), que começa amanhã, Em um ano com tanta concorrência, como Lollapalooza e Rock in Rio, o quanto antes, melhor. Aluna falou ao Estado por telefone, de Londres, sobre a perspectiva de aterrissar no Brasil.


My Toys Like Me era uma banda muito mais crua e experimental, cheia de ruídos e não tão pop. Como foi transitar para o AlunaGeorge, muito mais palatável?

Acho que tive a liberdade de experimentar em My Toys Like Me, mas não conseguia criar. Ali, tudo era na base do improviso - e, por isso, a experimentação. A criação, em si, não existia. Assim que comecei a trabalhar com o George, percebi que gostaria de criar, mesmo que houvesse espaço para buscar batidas experimentais.

Como vocês chegaram a esse nome pouco criativo?

(Risos!) Eu tenho um caderninho de anotações com todos os nomes que a gente tentou. Tínhamos algo como Make a Mistake e Disobay, mas, no fim, ficamos com esse.

O que inspira você a compor? É desafiador escrever um pop?

Geralmente, gosto de escrever sobre algo que mudou e mostrar justamente aquele momento em que você precisa ultrapassar o desafio. Quando você percebe estar perto do limite e não aguenta mais. São essas histórias, pessoais ou dos outros, que me inspiram.

Fui buscar entrevistas antigas de vocês e vi que Mariah Carey e Destiny’s Child estão entre as suas influências. Como elas inspiram o pop de vocês?

Acho que esse tipo de música está dentro de você, sem que você perceba. Foi assim com a Mariah. Acho que essas referências estão mais ligadas ao fato de a gente olhar para trás. Quando se ouve músicas dela ou do Destiny’s Child, por exemplo, se percebe que existe muita coisa boa ali, nas suas batidas e ideias.

O George, então, é mais ligado a qual tipo de música?

Ele é mais interessado em Radiohead. Não somos nem conseguimos fazer músicas como o Radiohead, mas procuramos batidas de hip-hop e fomos atrás de bandas que se aprofundavam nesse estilo.

Depois de lançar o disco Body Music, em 2013, vocês voltaram ao estúdio para criar o single Supernatural. Como foi a experiência após um ano de turnê?

É a minha parte favorita nesse meu trabalho. É quando voltamos às raízes do AlunaGeorge, que é quando ficamos sozinhos no estúdio, criando.

O que você pode dizer sobre o novo disco?

Estamos tentando explorar um pouco mais outros estilos. Sempre fomos fãs de artistas que são expansivos, mas o nosso primeiro disco soou restrito. Queremos mais liberdade.

Ouvir AlunaGeorge, principalmente pelos graves, parece nos remeter à ficção científica. E isso se relaciona ao "pop futurístico", que é como alguns críticos definiram o seu trabalho.

Acho que quando se inspira em um pop instrumental, mas não nos vocais, e tenta fundi-lo com a forma de compor do hip-hop, parece um experimento futurístico. Somos uma das poucas pessoas a fazer isso.

Prestes a vir ao Brasil, você consegue imaginar algo para os shows daqui?

Acho que será emocionante, de certa forma, encontrar os fãs brasileiros pela primeira vez. A gente se comunica com eles no Twitter e Facebook, são pessoas que estão do nosso lado há quatro anos e, finalmente, iremos nos encontrar.

Você falou que a melhor parte do trabalho é estar no estúdio. O que sente no palco?

Por algum motivo, eu sinto que nunca sei o que fazer e como fazer. São aqueles momentos antes do show, nos bastidores, nos quais fico pensando: "O que estou fazendo? Não sei o que fazer aqui". E, então, corro para o palco e tudo acontece. Acho que será sempre assim.

Ouça AlunaGeorge:

Agora em projeto solo, La Roux mostrará reivenção de novo disco no Meca Festival

Desde que deixou de ser uma dupla, La Roux parece ter perdido aquela sonoridade gélida que vinha acompanhada dos sintetizadores que comandavam a banda. Ben Langmaid deixou Elly Jackson sozinha para seguir em frente com o projeto. Como poderá ser visto no Brasil, nas três datas do Meca Festival, que passará pelo Rio Grande do Sul, Rio e por São Paulo, a começar deste sábado, a separação fez um bem danado.

A questão não é negar que In For The Kill, hit das pistas dos últimos anos, lançado no disco que levava o nome da então dupla, seja ruim. A indicada para o Grammy tem méritos para fazer os esqueletos chacoalharem até hoje. O álbum, vencedor do gramofone dourado na categoria de música eletrônica, também é um petardo dançante, mas faltava algo.

A química entre a ruiva Elly e Langmaid parece ter se perdido pelo caminho. Trouble in Paradise é exatamente oposto do antecessor. Em entrevista ao jornal Sunday Times, a cantora afirmou que o trabalho é "mais sensual". "Este disco foi criado para ser sexy. Eu que o fiz e quis fazer sexo o tempo todo." A própria arte da capa, com Elly sobre o capô de um carro, na beira da praia, já indica que o pop gélido de sintetizadores dela está preparado para a onda de calor que vem assolando o Brasil atualmente. / P.A.

Ouça La Roux:

 

PROGRAMAÇÃO

Veja os shows de cada cidade:

Maquiné

17 de janeiro

La Roux, AlunaGeorge, Citizens!, Years&Years, Erick Endres e Wannabe Jalva

Rio

18 de janeiro

La Roux, AlunaGeorge, Citizens!, Years&Years, Pearsl Negras, Glass n’Glue e Mahmundi

São Paulo

24 de janeiro

La Roux, AlunaGeorge, Citizens!, Years&Years, Aldo, Wannabe Jalva e Glass n’Glue

 

MECA FESTIVAL

Maquiné. Hotel Fazenda Pontal. Rod. RS 407, Km 2,5, RS. Dia 17/1, 17 h. R$ 100 a R$ 160.

Rio. Estação Leopoldina. R. Francisco Bicalho, s/nº, Centro. Dia 18/1, 17 h. R$ 220 a R$ 350.

São Paulo. Campo de Marte. Av. Santos Dumont, 2.241, Santana. Dia 24/1, 15 h. R$ 260 a R$ 390.

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