Duo Assad lança CD e se apresenta no Teatro Municipal

Os irmãos violonistas Sérgio e Odair Assad demonstram seu virtuosismo no Teatro Municipal e interpretam músicas de seu novo CD "Two Concertos for Two Guitars", que na verdade foi gravado no início dos anos 90, mas só agora ganha uma edição nacional, pelo selo Rob DigitalO Duo Assad, formado pelos violonistas Sérgio e Odair Assad, faz amanhã no Teatro Municipal um concerto ao lado da Orquestra Experimental de Repertório. Eles vão interpretar, sob regência de Jamil Maluf, o "Concerto Madrigal" de Joaquin Rodrigo. Instrumentistas como eles são capazes de dar, a uma peça de escasso interesse musical como este concerto uma interpretação que a faça parecer melhor do que realmente é. Foi o que aconteceu em apresentação feita há duas semanas, no Palácio das Artes, de Belo Horizonte, com a Sinfônica de Minas Gerais, regida por Ira Levin.Muito mais interessante do que a dispersiva peça de Rodrigo, foram as "Dos Estaciones", de Piazzolla; em especial a primeira delas, "Verano Porteño", com seu lírico cantabile, seguido de um tango de ritmo extremamente contagiante. Em toda essa primeira parte, do ponto de vista de fraseado, controle rítmico e interação entre os dois violões, o Duo Assad deu novamente provas de seu inegável talento.Mas o ponto verdadeiramente alto do concerto de Belo Horizonte foi o rendimento obtido por Ira Levin com a execução - pela primeira vez na cidade, da "Sinfonia nº 6" de Shostakóvitch. O fato de não possuir primeiro movimento - o que lhe valeu o apelido de ?sinfonia sem cabeça? - dá, de saída, à obra uma postura crítica: como ter cabeça no opressivo universo concentracionário do stalinismo, em que o crime de pensar era punido da forma mais selvagem possível? A surpreendente originalidade da peça está em ser construída em duas partes que, à primeira vista, nada têm a ver uma com a outra. A um amplo Largo opressivo, de desoladora tristeza - no qual Ira Levin extraiu da OSMG execução de extrema dramaticidade - seguem-se um scherzo Allegro e um finale Presto, de progressivo tom irônico, que levam a sinfonia a um final debochado, circense, de deliberada vulgaridade.Esse é o ?otimismo obrigatório? de que fala Nadiêjda Mandelshtám em suas memórias, aquela alegria fictícia de fachada que o Estado exigia de seus cidadãos. A expressão sardônica da vida como se quer que ela pareça ser, em contraste com o sentimento do que é viver sob o Terror stalinista, retratado no Largo. Finale de tanta energia, em sua carga irreprimível de sátira, que foi necessário bisá-lo, diante da reação do público à maneira contagiante como ele foi realizado. Interessa menos, aqui, apontar as deficiências de uma orquestra que vem lutando para superar os seus problemas, do que apontar o empenho e o entusiasmo com que ela respondeu ao comando de Ira Levin, o que resultou numa execução de acabamento acima do esperado. E também a importância de se revelar ao público de Belo Horizonte, especialmente neste ano de centenário, peça tão significativa do repertório do século 20. (Lauro Machado Coelho)Crítica do novo disco do Duo AssadA apresentação neste sábado, no Teatro Municipal, marca o lançamento do novo disco do Duo Assad. Na verdade, o disco foi gravado no início dos anos 90, mas só agora ganha uma edição nacional, pelo selo Rob Digital. A dupla de violonistas escolheu dois concertos para o CD, gravados na Suíça com a Orquestra Sinfônica de St. Gallen, regida pelo maestro John Neschling: o "Concerto Madrigal", de Joaquin Rodrigo, a mesma peça que eles interpretam no Municipal, e o "Concerto Opus 201", obra escrita nos anos 60 por Castelnuovo Tedesco, a verdadeira pérola do álbum, na qual é interessante perceber a maestria do compositor na articulação dos dois violonistas solistas. Mais informações sobre o trabalho no site www.robdigital.com.br. (João Luiz Sampaio)

Agencia Estado,

18 de agosto de 2006 | 18h22

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