Divulgação
Divulgação

'Duets II', de Tony Bennet, traz supremacia feminina e é superior a álbum de 2006

Disco do lendário crooner traz última gravação de Amy Winehouse e mais algumas pérolas

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2011 | 20h50

É difícil mudar uma fórmula vencedora. O disco Duets - An American Classic, de 2006, gravado quando Tony Bennett completou 80 anos, ganhou três prêmios Grammy e tornou-se o mais vendido disco da carreira do crooner. Seria natural imaginar que sobreviria um Duets II, com uma consequente queda de qualidade nos duetos.

Mas o fato é que esse é um caso em que a sequência é melhor do que o primeiro "filme". O primeiro Duets era mais irregular: tinha muito artista que só estava ali pela fama, como Céline Dion, Dixie Chicks, Tim McGraw, Barbra Streisand, James Taylor, Elton John. Esse álbum com 17 convidados que chega agora às lojas tem mais qualidade do que marketing.

As cantoras seguram a onda. Aretha Franklin, Sheryl Crow, Queen Latifah, k.d. lang, Natalie Cole, Faith Hill e Carrie Underwood mantêm alto nível nas interpretações. Lady Gaga é a curiosidade bizarra - seu dueto com Tony em The Lady Is a Tramp (de Richard Rodgers) parece uma mistura de Joelma, da banda Calypso, com João Gilberto. Amy Winehouse, em Body and Soul (de Johnny Green), deixa uma espécie de faixa-testamento. A grandeza de Amy está no fato de que ela não emula Billie Holiday, nem Dinah, nem Nina Simone. Projeta seu próprio sarcasmo (e incredulidade) sobre a canção.

O jornalista Neil McCormick, que estava presente na gravação do Abbey Road, conta que o último vídeo da última gravação da vida da cantora veio após 7 takes vocais. Ela se mostrava até então tímida e insegura, mas Tony cuidou de deixá-la à vontade e, ao final, eles se abraçam calorosamente. Ficou decidido, entre Tony e a família da cantora, que os lucros do dueto Body and Soul na venda pelo iTunes serão destinados à recém-criada Amy Winehouse Foundation.

Anthony Dominick Benedetto foi claramente seduzido pelo poder de fogo de suas convidadas, e os duetos femininos passaram por cima dos masculinos. Ainda assim, é muito bacana seu encontro com o velho índio Willie Nelson e Tony com Alejandro Sanz, em Esta Tarde vi Llover, um reencontro que poderia soar artificial e sem ponto de contato mas, paradoxalmente, está fantástico.

Tony viajou pelo mundo para gravar o álbum, o que garante que não há aquele clima de parcerias fake, mixadas em duas ou três gravações distantes, nas quais os performers jamais se reuniram. Ele foi à Itália, à casa de Andrea Bocelli, para gravar Strange in Paradise; esteve em Londres, Los Angeles e Nova York. As sessões de Duets II foram gravadas por Dion Beebe, fotógrafo vencedor de Oscars (Chicago, Memórias de uma Gueixa e Colateral), e virarão documentário. Declarado Cidadão do Mundo pelas Nações Unidas, Tony é o fino.

ENTREVISTA

O sr. gravou com k.d.lang, com quem já fez disco e turnê. Por que escolheu Blue Velvet, a famosa canção de Bobby Vinton?

Eu gravei originalmente Blue Velvet, não Bobby. Ele era um artista iniciante quando regravou esse sucesso meu, que gravei pela primeira vez no verão de 1951. Fui o primeiro a gravá-la. A canção me foi dada por um amigo, que era redator da revista Playboy e escrevia bons artigos sobre música. Eu pensava ainda em como ser aceito, e ele me inspirou a gravá-la. Amo o jeito de k.d.lang interpretar, é uma das grandes cantoras do nosso tempo.

Seu disco traz também Lady Gaga. Ela é quase o oposto do seu estilo, com o jeito teatral e fashion, não acha?

Ela me lembra o Rio de Janeiro, sempre dançando e agitando. Eu a conheci antes disso. Estava cantando em uma noite beneficente em Nova York, e naquela noite a gente tinha levantado US$ 5 milhões para os pobres da cidade. Ela veio ao camarim, dizendo que queria gravar um disco inteiro comigo. Era divertida e viva, e acabamos nos tornando amigos. Foi maravilhosa essa gravação com Gaga, assim como foi com Amy Winehouse. Amy era grande fã de Dinah Washington, que eu considero uma das maiores cantoras que pude testemunhar em ação. Amy não veio com um ideia preconcebida, ela era das grandes, do tipo que reagia ao que a música apresentava. Todos os lucros da música no iTunes irão para a Fundação Amy Winehouse.

E com Aretha Franklin, como foi o encontro?

Nós escolhemos gravar How do You Keep the Music Playing?, do Michel Legrand. Originalmente, Frank Sinatra cantava essa música. Um dia, ele me chamou e disse: cante isso, Tony, é feita para você. Foi um grande conselho, Frank foi um amigo precioso.

E quanto a Norah Jones? É um dueto mais delicado, não?

Ela é linda, além de uma cantora maravilhosa. É uma artista linda e uma mulher belíssima.

E Willie Nelson? Como foi conciliar seu estilo com o jeito rural e rocker dele?

Ele conhece as canções como um compositor, e demonstra um respeito pela forma original da canção que raros demonstram. Eu me diverti muito com ele.

O sr. pensa em trazer a turnê desse novo show para o Brasil desta vez?

Eu amaria. O Brasil é sempre uma grande aventura. Quando eu era mais jovem, lá pelos anos 1950, ia para a Europa e todo artista que encontrava me dizia o seguinte: Tony, você precisa ir para o Brasil, aquele lugar é mágico. Todo mundo amava seu País. Desde então, sempre que vou para o Brasil as coisas acontecem.

Tudo o que sabemos sobre:
Tony Bennet

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.