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Dudamel nega apoio ao governo venezuelano e diz que Sistema é apolítico

Maestro foi acusado pela pianista Gabriela Montero de conivência por realizar concertos durante manifestações em Caracas

Agências internacionais

19 de fevereiro de 2014 | 16h20

O maestro venezuelano Gustavo Dudamel voltou a dizer, ontem, em entrevista ao jornal Los Angeles Times, que não fará declarações de cunho político a respeito da situação na Venezuela. Em carta em seu Facebook, a pianista Gabriela Montero havia acusado o maestro de conivência com o governo de Nicolas Maduro por realizar um concerto na semana passada, enquanto, segundo Gabriela, “manifestantes eram massacrados nas ruas”. Dudamel é a principal estrela do Sistema, projeto de educação musical venezuelano criado há quatro décadas na Venezuela e mantido pelo governo do País.

“Fazer um comentário político não está de acordo com o espírito do Sistema”, disse o maestro. Para ele, o projeto, que atende 500 mil crianças em todo o país, “não é uma instituição política”. Segundo o maestro, o Sistema não pertence a nenhum partido ou grupo mas a todos os cidadãos e ele fará tudo o que pode para mantê-lo distante da política.

Dudamel disse também que não tinha conhecimento de que, enquanto o concerto era realizado, as manifestações do lado de fora haviam se tornado violentas. Segundo ele, é “maluquice” a informação de que ele teria participado com o presidente Nicolas Maduro de uma parada na cidade de Maracay, pelo Dia Nacional da Juventude, enquanto ocorriam as manifestações. “Este também é o dia do aniversário do projeto, que completou 39 anos. Era uma ocasião especial. Todas essas crianças, eu senti como se ainda fosse uma delas. Todos os meus professores estavam lá.”

O arquiteto Frank Gehry, que acompanhou o maestro em sua última viagem à Venezuela – será dele o projeto de uma sala de concertos em homenagem a Dudamel, a ser erguida na sua cidade natal, Barquisimeto – partiu em sua defesa. “No começo do concerto, a ovação a Abreu (o maestro José Abreu, criador do Sistema), durou mais de dez minutos. A plateia aplaudia e gritava, sem parar. Tratava-se, ali, das crianças e não de política, e é por isso que todo o mundo está tentando copiar o Sistema. Eu estava ali simplesmente porque acredito nesse modelo.”

Em seu Facebook, Gabriela Montero voltou ontem ao tema. Disse que muitos não entenderam que sua intenção não era atacar “Abreu, o Sistema ou Gustavo”. “Minhas palavras nada tinham a ver com os músicos do Sistema, nem com seu importantíssimo trabalho. O valor do projeto é inquestionável. O que fiz foi suplicar a estes líderes que tomem consciência da importância de seus atos e de seu silêncio."

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