Ana Alexandrino
Ana Alexandrino

Duda Beat reconstrói seu coração - e dos outros - com o disco 'Sinto Muito'

Com a estreia, cantora nascida no Recife se reergue com canções sobre superar as dores acumuladas

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2018 | 06h00

“Sempre fui de me apaixonar por músicos”, quem diz é Duda Beat, mas quando o faz, se refere ao tempo no qual era Eduarda Bittencourt, garota do Recife que se mudou para o Rio de Janeiro há treze anos e, invariavelmente, caía de amores por alguém com um instrumento a tiracolo.

É outra, agora com nome artístico e com um disco próprio para chamar de seu. Sinto Muito, disco que chegou às plataformas digitais recentemente, é o descarrego emocional poderoso de Eduarda, agora transformada em Duda, a artista. 

“É interessante que fui perceber que me atraía por músicos, figuras que não queriam nada comigo, e percebi que era algo que eu realmente queria fazer”, ela conta. Quando deixou sua casa em direção ao Rio, o objetivo era, veja bem, cursar medicina. Na época, seu grande amigo era Tomás Tróia (spoiler: guarde esse nome).

O canto era algo que já existia desde a infância. Dos tempos de cantar na igreja, ela dividia o coro com outras três garotas. Certo dia, o pastor lhe pediu para que cantasse sozinha. “Foi quando pensei que pudesse ter algum tipo de talento para isso.” 

A música veio em doses homeopáticas. Ela, por exemplo, participou de dois dos grandes discos da música brasileira de 2018: Sintoma, uma delicada hora de autoconhecimento de Castello Branco, e da nova persona de Letícia Novaes, Letrux, na delícia oitentista e inundada de paixão e tesão Em Noite de Climão

Queria, ao se formar médica, se especializar em anestesia. “Minha vontade era fazer com que as pessoas se curassem sem sentir dor”, ela diz. Ironia das boas da vida é que Duda Beat parece se tornar, com a força de suas músicas espalhadas no esquema do “boca a boca”, uma espécie de “guru do amor” graças ao conteúdo de Sinto Muito.

O disco, que une uma estética que caminha entre o indie e o pop, pela escolha de arranjos pouco ortodoxos, ainda assim, bons de grudar na cabeça (ou no coração), é uma aula de superação de dores passadas. 

Lançado por uma Duda (ou Eduarda) de 30 anos, o trabalho de certo não soaria – nem rasgaria – da mesma forma se ela tivesse uma década de vivência e “sofrências” a menos. Funcionam, esses tais versos tão pessoais, porque a artista viveu “à flor da pele”, como ela canta em Bédi Beat, a primeira faixa do álbum, depois da introdução instrumental Anicca: “E eu vivia à flor da pele nem percebia / Que das vezes que eu ria era vontade de chora / Chorar, chorar...”. 

Com músicas como Bixinho, ela também canta outras formas de amor – nesta faixa, no caso, ela vive o amor “desapegado”, daqueles leves, sem pressões ou expectativas, mas cheios de beijos ardentes. “Hoje, recebo muita mensagem de gente que quer ajuda para chamar alguém para sair e digo: ‘olha, o não você já tem’”. 

Sem nunca ter medo de quebrar a cara, ou o coração, Duda se entregou à vida, tal qual o faz com a música. E, com o auxílio de Tomás Tróia (aquele do início do texto), na estreia dele como produtor, ela se lança como artista. E, na convivência, ela e Tomás se tornaram um casal. “É um disco para corações reconstruídos”, ela garante. “Porque são músicas tristes, mas são amores que doeram e, hoje, não machucam mais.”

DUDA BEAT

MiniMECA. Rua Artur de Azevedo, 499, Pinheiros. Sáb. (16.), das 15h às 22h.

Duda se apresenta às 17h.

Entrada gratuita. 

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