Dorival Caymmi será enterrado na tarde de hoje no Rio

Cantor e compositor baiano faleceu no sábado aos 94 anos em razão de complicações de um câncer renal

Talita Figueiredo, da sucursal do Rio,

17 de agosto de 2008 | 02h54

O cantor e compositor baiano Dorival Caymmi será enterrado na tarde deste domingo, 17, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Para marcar o horário, a família aguarda a confirmação do horário da chegada de um dos seus filhos, o compositor Dori Caymmi, que mora em Los Angeles. O corpo está sendo velado na Câmara dos Vereadores, no centro. Veja também:'Caymmi é para sempre', dizem amigos do compositor baianoCaymmi, o último patriarca da música brasileiraVeja a trajetória de Dorival CaymmiVeja imagens de Dorival Caymmi Ouça Caymmi na homenagem feita pelo programa Canta Brasil  Caymmi 'era gênio do Brasil', diz Ministério da CulturaWagner e Cabral decretam luto de três dias por CaymmiCaymmi era inspiração para outros músicosLula: obra de Caymmi ficará viva na memória de todos Caymmi morreu no sábado, 16, aos 94 anos, em sua casa, em razão de complicações de um câncer renal descoberto em 1999. Nesse mesmo ano, ele teve um rim retirado. Na segunda-feira, seu estado de saúde piorou.  O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias. Em nota oficial, o prefeito Cesar Maia lamentou a morte do "mais carioca de todos os baianos". Em sua homenagem, a prefeitura dará seu nome a uma rua no Leblon, zona sul da cidade. "É uma pequena rua carinhosa. Ali ele estará junto de nós, sempre", disse o prefeito. Caymmi morava no Rio desde 1938. Mudou-se em dezembro para o sexto andar de um prédio na Av. Nossa Senhora de Copacabana, de onde o compositor que em tantas canções saudou o mar, conseguia avistá-lo. Segundo sua neta, Stella Caymmi, a mulher de Dorival, Stella Maris, venceu o pavor que tinha de elevador para dar ao marido o prazer de ver o oceano de casa. "Eles moravam no primeiro andar de um outro prédio em Copacabana, mas ele sentia necessidade de ver o sol e de ver o mar. Por anos, ele tentou convencê-la a se mudar", disse a neta, que é filha da cantora Nana Caymmi. "No réveillon, pela primeira vez viram os fogos de Copacabana", disse.  A viúva está internada desde abril com problemas cardíacos e há dez dias entrou em coma. A neta disse que ele ficou muito abalado desde a internação da mulher com quem viveu por 68 anos. "Os últimos dias do meu avô foram muito difíceis, porque minha avó, que ligava para ele todos os dias, parou de ligar e ele percebeu que alguma coisa havia acontecido. Nós decidimos não contar para ele sobre o coma." Caymmi não sabia do câncer. "Apesar de passar pelos tratamentos, nunca disseram para ele que era câncer. Ele dizia que não queria saber o que era. Era uma atitude", disse a neta. Segundo ela, ele não passou por quimioterapia ou radioterapia. Tratou-se com remédios por quase dez anos e ficou internado algumas vezes. A última foi no início do ano passado. Depois disso, por decisão do compositor, não voltou mais ao hospital e era assistido por um enfermeiro em sua casa. No dia 24 de junho, Caymmi completou 70 anos de carreira. Foi a data em que estreou na Rádio Tupi. Para marcar o horário do enterro, a família aguarda a confirmação do horário da chegada de um dos seus filhos, o compositor Dori Caymmi, que mora em Los Angeles. Seus outros filhos são a cantora Nana e o compositor e intérprete Danilo. Dorival deixa ainda sete netos. Stella contou que o avô era um músico "silencioso em suas composições". "Minha avó sabia quando ele estava compondo. Era quando ele se recolhia, ficava quieto. E ela nos dizia: "deixa o Dorival que ele está compondo". Ele tinha uma relação muito boa com o tempo. Se uma música precisasse de dez anos para ficar pronta, ele esperava. Isso é uma sabedoria, ele sabia que não tinha como lutar contra o tempo." Caymmi era, segundo Stella, muito ligado à família. Ela conta que nos anos 50, quando ele passava as noites cantando em boates, não deixava jamais de tomar café da manhã com os filhos. "Ele chegava às 5 ou 6 horas, mas só dormia depois do café. Ele tinha um sentimento, que aprendeu dos pais, e que foi transferido para os filhos."

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