Dorival Caymmi morre no Rio aos 94 anos

Cantor e compositor baiano sofria de insuficiência renal; violonista será sepultado neste domingo

Da redação, estadao.com.br

16 de agosto de 2008 | 09h53

Morreu na manhã deste sábado, 16, o cantor e compositor baiano Dorival Caymmi. Aos 94 anos, o violonista sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu em sua casa, em Copacabana, no Rio. Ele sofria de câncer renal, descoberto em 1999 e, por causa da idade, já não apresentava uma condição cardíaca favorável. Caymmi estava em internação domiciliar desde dezembro. O enterro será na tarde deste domingo, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.  Veja também:'Caymmi é para sempre', dizem amigos do compositor baianoCaymmi, o último patriarca da música brasileiraVeja a trajetória de Dorival CaymmiVeja imagens de Dorival Caymmi Ouça Caymmi na homenagem feita pelo programa Canta Brasil  Caymmi 'era gênio do Brasil', diz Ministério da CulturaWagner e Cabral decretam luto de três dias por CaymmiCaymmi era inspiração para outros músicosLula: obra de Caymmi ficará viva na memória de todos  Nascido em Salvador (BA) em 30 de abril de 1914, Dorival Caymmi mudou-se para o Rio de Janeiro em 1938, onde apresentou-se na Rádio Tupi, cantando uma de suas composições mais conhecidas: O Que é que a Baiana Tem?, que no filme Banana da Terra, de 1938, foi interpretada por Carmem Miranda. Poeta popular, compôs outras obras como Marina, Modinha para Gabriela, Maracangalha, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem, Rosa Morena. Dorival Caymmi era casado com a cantora Stella Maris. Dorival mudou-se em dezembro do ano passado  para o sexto andar de um prédio na Av. Nossa Senhora de Copacabana, a uma quadra da praia, de onde o compositor que em tantas canções saudou o mar, conseguia avistá-lo. Segundo sua neta, Stella Caymmi, a mulher de Dorival, a cantora Stella Maris, venceu o pavor que tinha de elevador para dar ao marido o prazer de ver o oceano de casa. "Eles moravam no primeiro andar de um outro prédio em Copacabana, mas ele sentia necessidade de ver o sol e de ver o mar. Por anos, ele tentou convencê-la a se mudar", disse a neta. "No revéillon, pela primeira vez viram os fogos de Copacabana", completou. A viúva está internada desde abril com problemas cardíacos e há dez dias entrou em coma. A neta disse que ele ficou muito abalado desde a internação da mulher com quem viveu por 68 anos. "Os últimos dias do meu avô foram muito difíceis, porque minha avó, que ligava para ele todos os dias, parou de ligar e ele percebeu que alguma coisa havia acontecido. Nós decidimos não contar para ele sobre o coma."  Caymmi não sabia do câncer. "Apesar de passar pelos tratamentos, nunca disseram para ele que era câncer. Ele dizia que não queria saber o que era. Era uma atitude", disse a neta. Segundo ela, ele não passou por quimioterapia ou radioterapia, tratou-se com remédios por quase dez ano e ficou internado algumas vezes. A última foi no início do ano passado. Depois disso, por decisão do compositor, não voltou mais ao hospital e era assistido por um enfermeiro em sua casa. Dorival completou 70 anos de carreira em 24 de junho. Foi a data em que estreou na Rádio Tupi. Para marcar o horário do enterro, a família aguardava a confirmação do horário da chegada de um dos seus filhos, o compositor Dori Caymmi, que mora em Los Angeles. Seus outros filhos são a cantora Nana e o compositor e intérprete Danilo. Dorival deixa ainda sete netos. (Com Ricardo Valota, do estadao.com.br, e Talita Figueiredo, da sucursal do Rio)

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