Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Dona do hit ‘Faz Gostoso’, Blaya fala do sucesso da canção na versão de Madonna e Anitta

Blaya, nome artístico de Karla Regina Francelino Rodrigues, nasceu no Brasil, mas se mudou ainda bebê para Portugal, onde, em 2018, chegou ao topo das paradas

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2019 | 16h53

Um dos sucessos de Madame X, novo disco de Madonna, o funk Faz Gostoso, cantado por ela e Anitta, tem origem portuguesa. Na verdade, luso-brasileira. Nascida em Fortaleza, no Ceará, e criada em Portugal, a cantora e compositora Blaya – nome artístico de Karla Regina Francelino Rodrigues – já havia chegado ao topo das paradas portuguesas em 2018, com sua versão da música cantada com sotaque brasileiro. Mas Faz Gostoso ainda tinha uma longa trajetória pela frente. Naquele mesmo ano, a cantora Anitta a incluiu em sua apresentação no Rock in Rio Lisboa, dando à música ainda mais projeção. 

Blaya, que fala português de Portugal, estava na plateia e acompanhou de perto a reação do público, que seguiu Anitta em coro. “A Anitta #fazgostoso. Obrigada, obrigada, obrigada! A todos vocês por fazerem chegar a minha música a todo o lado! Obrigada por ouvirem o ‘faz gostoso’ vezes sem conta! Este momento foi muito especial para mim e um dia, meus amores, serei eu em cima daquele palco com milhares de pessoas na minha frente”, escreveu Blaya, em seu Instagram na época. 

Ao Estado, durante sua recente passagem por São Paulo, em agosto, ela contou que foi avisada pelos bailarinos de Anitta que a artista brasileira tinha incluído sua música no show. “Fiquei no público a ver o espetáculo e como as pessoas reagiam ao fato de ela cantar uma música feita em Portugal”, conta ela. Parceria de Blaya, Mc Zuka, Tyoz, No Maka e Stego, Faz Gostoso bebe na fonte do funk carioca, made in Portugal, mas, claro, com a contribuição decisiva de um brasileiro – no caso, Mc Zuka, também nascido no Brasil e que há anos mora em Portugal. “Ele que foi o cabeça de quase toda essa música.”

A repercussão mundial veio numa etapa mais recente, ao ser gravada por Madonna, em dueto com Anitta, em Madame X, misturando inglês e português na letra. E como foi ver a versão da canção com a rainha do pop? “A música ultrapassa fronteiras, e o fato de Madonna morar em Portugal só facilitou a música entrar mais facilmente nos ouvidos dela”, responde Blaya. “Com um bocadinho de trabalho e um bocadinho de sorte, conseguimos chegar onde nós queremos. É uma coisa que pode acontecer com qualquer artista do mundo, com qualquer música do mundo.”

E as inevitáveis comparações entre a gravação original dela e a de Madonna com Anitta? “A versão delas tem a essência original, mas também tem a essência delas. As pessoas acabam por sempre comparar, e gostos são gostos, há pessoas que vão gostar mais da minha, há pessoas que vão gostar mais da outra”, diz ela, sem polemizar. 

Rock in Rio. O sucesso da regravação de Madonna impulsionou o número de acessos ao clipe de Blaya, que ultrapassou a marca de 34 milhões de visualizações. Fez também com que as atenções do mundo, e sobretudo do Brasil, se voltassem a ela, essa artista até então desconhecida no próprio país onde nasceu. 

A canção acabou sendo uma porta de entrada para o público conhecer seu trabalho. “As pessoas começam a pesquisar, acabam por enviar mensagens, dizendo que gostam do meu álbum, gostam da minha música.” E também a ampliar as possibilidades de intercâmbio com o País. “Até porque é muito complicado os brasileiros ouvirem música portuguesa, e acho que tem que ser assim, aos poucos. Os brasileiros vão se habituando mais a ouvir, e vão deixando cada vez mais entrar os artistas portugueses aqui no Brasil”, acredita a cantora. 

Nessa aproximação – que envolveu, inclusive, a vinda dela ao Brasil para conversar com a imprensa brasileira e promover seu trabalho –, Blaya foi confirmada como uma das atrações do Palco Sunset, no Rock in Rio, no dia 27 de setembro, ao lado da brasileira Lellê, que ficou famosa como dançarina e cantora do Dream Team do Passinho. E ela vai realizar o sonho que desejou naquela mensagem no Instagram. Além disso, seu próximo disco, ao qual ela já está se dedicando, terá ritmos brasileiros, além de africanos e música eletrônica. “Será muito dançante, talvez um pouco mais de rock, porque, nos meus shows ao vivo, tem um pouco mais de rock, e eu queria passar essa vibe para o álbum.”

Aos 32 anos, Blaya se mudou com a família para Portugal quando ainda era bebê. “Meu pai foi convidado para jogar futebol em Portugal. Ele foi primeiro, e depois fomos eu e minha mãe. Em casa, sempre se ouviu música brasileira, sempre se comeu comida típica brasileira, sempre foi uma casa brasileira, mas com costumes portugueses, porque minha escola era portuguesa e acabava por aprender os costumes portugueses”, lembra ela, que iniciou a carreira em 2001. “Sempre mantive uma boa relação com o Brasil, sempre me identifiquei com o País. Já vim para cá mais vezes, há muitos anos que eu não vinha. A última vez que vim foi a trabalho, e agora estou a trabalho outra vez.” 

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