Documentário revive o início da carreira do Queen

Filme mostra a ascensão da banda até o hit 'Bohemian Rhapsody'

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 03h00

Algumas lendas nascem prontas. Outras, os anos se encarregam de unir os astros, encaixar as engrenagens e ajudar a construir um grande nome. O Queen não nasceu enorme quanto o nome deliciosamente pretensioso da banda inglesa poderia prever. Mas ficou. E o responsável tem um nome: Bohemian Rhapsody. A 11.ª faixa do quarto disco da carreira da trupe inglesa foi a responsável por jogá-la diretamente para o topo das paradas de sucesso britânicas e lá permaneceu por nove semanas consecutivas, tornando-se um dos singles mais bem-sucedidos da história do Reino Unido. 

A caminhada de Freddie Mercury (voz), Brian May (guitarra), John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria), desde a criação do Queen, em 1970, até o estouro com o ópera-rock mais popular de todos os tempos, com seus quase seis minutos de duração, foi árdua. O início dessa construção da banda até se tornar uma das mais grandiosas do mundo, com históricas passagens pelo Brasil, inclusive, é alvo da pesquisa do documentarista e comediante Rhys Thomas, inglês fã do Queen desde a infância. 

Com o documentário Queen: A Night in Bohemia, que será exibido no Brasil em sessões nas redes de cinema UCI e Cinemark nesta terça-feira, 10, é possível perceber a jornada do quarteto, dos primeiros discos, Queen (1973), Queen II (1974) e Sheer Heart Attack (1974), até o amadurecimento e o encontro de elementos da fusão do rock progressivo, a linhas inspiradas da guitarra de May, as vozes cruzadas de May, Taylor e Mercury, além do carisma dos mais embasbacantes do frontman. 

Integrantes remanescentes da banda contam para a lente de Thomas como eram obrigados a varar madrugadas no estúdio da gravadora, quando ninguém o estava usando, para conseguir gravar o primeiro álbum. Dele, por exemplo, vieram as ótimas Liar e Keep Yourself Alive. O disco recebeu boas críticas e foi seguido por Queen II, não tão popular, e Sheer Heart Attack, com o qual eles chegaram ao segundo lugar no Reino Unido. Aos poucos, o Queen construía seu séquito. No Japão, já em 1975, o grupo viveu seus dias de beatlemania, quando o quarteto era perseguido nas ruas por fãs quase tão histéricos quanto aqueles que gritavam por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. 

Complexidade. Nada os havia preparado para o que Bohemian Rhapsody faria pelo grupo ainda em 1975. A canção, tão cheia de camadas, trechos distintos, vozes sobrepostas e versos angustiantes, foi lançada como single mesmo com sua complexidade, por pressão do Queen, que se recusou a cortar a faixa de quase seis minutos para se tornar mais acessível para as rádios. Não deu outra. Do outro lado do mundo, no Japão, o Queen descobriu que era a banda número um da Inglaterra. 

O buz sobre o quarteto se tornou gigantesco - embora, nos Estados Unidos, a banda nunca tenha conseguido ser tão popular quanto em outros países. A coroação desse primeiro grande momento, já que muitos vieram na sequência, até a morte de Freddie, em 1991, foi a convocação da banda para se apresentar na histórica Hammersmith Odeon, casa de shows de Londres, no especial da BBC exibido ao vivo na noite de Natal, em 24 de dezembro. 

É a performance da banda ali que será exibida no Brasil após o documentário de Thomas sobre o início da banda. E a junção dos dois mostra o impacto da canção na história da banda. 

É nesse show em Londres que Freddie executa versos de Bohemian Rhapsody pela primeira vez. Inclui alguns deles ao piano, durante Killer Queen. A banda ainda talvez não fosse capaz de executar toda a magnitude da canção ao vivo, mas o público delirava com a performance de voz e piano. Era o início de uma história e, enfim, o Queen se tornou lenda. 

ENTREVISTA

Rhys Thomas, diretor e comediante  - 'Eu sempre fui obcecado pelo Queen'

Diretor e comediante, Rhys Thomas pode se considerar um especialista em Queen. Desde os dias da infância ouvindo os álbuns da banda inglesa graças ao gosto emprestado do pai até a feitura de documentários e DVDs da banda inglesa desde os anos 2000 - são sete, no total. Ele dirige A Night At The Opera, que será exibido nesta terça, 10, em algumas salas brasileiras. 

Como começou a sua ligação afetiva com o Queen? 

Ela cresceu enquanto eu também crescia. Lembro que meu pai amava a banda e ouvia sempre. Quando o Freddie (Mercury) morreu (em 1991), fiquei compulsivo. Foi a primeira estrela do rock que eu gostava e que havia morrido. Isso teve um efeito muito grande em mim. Desde aquela época, eu só queria saber da banda. Sempre fui obcecado. 

Na década de 1990, era fácil ser fã do Queen quando o mundo pop só queria saber de grunge e britpop? 

Foi uma época difícil (risos). O mundo só estava ligado nessas bandas, como Nirvana, Oasis, Blur. Todos amavam esses caras. E, de repente, não era mais cool amar o Queen. 

E o que fez você manter o fanatismo sobre a banda tão ‘não cool’? 

Acho que o Queen sempre teve uma ideia de se divertir com as canções. Não eram muito sérios. Eu, agora como comediante, faço isso na minha vida. Levo as situações com humor. O Queen também sabia fazer isso. 

O lançamento de ‘Bohemian Rhapsody’ foi definidor para a história da banda? 

Sem dúvida. É claro, como todas as grandes bandas, há gente que prefere os discos que vieram antes dessa canção. Outros curtem o que saiu depois. Eu gosto de todas as fases do grupo. 

Até essa fase com o vocalista Adam Lambert? 

Sem dúvida! Quero dizer, eles fazem questão de mostrar que Adam não está ocupando o lugar de ninguém. E ele canta como poucos, além de ter um carisma enorme. Foi uma boa jogada.

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