Documentário reúne compositor e discípulos

Com roteiro original de Luiz Fernando Ramos e direção de Cacá Vivaldi, o documentário Koellreutter e a Música Transparente nasceu de uma parceria da produtora Documenta Vídeo Brasil com a TV Senac. São 52 minutos em que o compositor divide com seus inúmeros discípulos a tarefa de retratar a sua vida, suas idéias, sua obra. Trata-se de um vídeo para tevê.O filme foi construído em quatro blocos. Suas obra, pedagogia, relação com a cultura oriental e ideologia. Abre com Koellreutter caminhando pela praia, descalço, lépido... Neste ponto, ele começa a revelar de forma caótica alguns momentos de sua vida. Na seqüência, analisa trechos de suas composições, e assim segue o vídeo, desnudando e envolvendo o espectador, com a vida e a obra do músico se confundindo, revelando e escondendo fragmentos de um homem que viveu sempre de forma muito intensa."Koellreutter nunca é gratuito, sempre diz algo de sentido profundo", diz Cacá Vivaldi. O diretor revela que a idéia do documentário surgiu um pouco ao acaso. "Quando não tínhamos nem uma data agendada na produtora, nos dirigíamos a casa dele e filmávamos. Fui músico, conheci um pouco de sua arte, sempre o admirei. Por isso, digo que o pontapé inicial quem deu fomos eu e a Teca (Teca Alencar de Brito, consultora musical do documentário)". O resultado agradou Vivaldi, principalmente pela espontaneidade com que conseguiram retratar o compositor. "Gravamos aula, concerto, entrevistamos ele em sua casa inúmeras vezes", conta.O forte sotaque de Koellreutter vez ou outra atrapalha a audição. Mas suas idéias estão ali, claras. No depoimento de seus alunos, John Neshling, Júlio Medaglia, Roberto Minczuk, Tim Riscala, Arrigo Barnabé, Tom Zé, Edino Krieger e José Miguel Wisnick, percebe-se a importância do compositor germano-brasileiro para a música de nosso País. Koellreutter e a Música Transparente é um vídeo de fácil assimilação, quase introdutório, mas que com certeza servirá de referência para quem quiser conhecer o trabalho e, principalmente, as idéias do compositor. "Sobrou muito material após editarmos o filme. Minha idéias não foi esgotar o assunto, mas sim abrir espaço para que novos trabalhos apareçam", completa Vivaldi.

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