William C. Eckenberg/The New York Times
William C. Eckenberg/The New York Times

Documentário de Scorsese sobre Bob Dylan estreia nesta quarta-feira,12

'Rolling Thunder Revue' retrata turnê intimista nos Estados Unidos e no Canadá

Paula Baena Velasco, EFE

12 de junho de 2019 | 15h04

O premiado cineasta Martin Scorsese recupera um rejuvenescido Bob Dylan no documentário Rolling Thunder Revue, no qual relata sua volta aos palcos em 1975.

Imagens reais dessa turnê, cujo nome dá título ao longa-metragem, se misturam com entrevistas atuais de pessoas que fizeram parte dela, inclusive do próprio Dylan, neste documentário que estreia nesta quarta-feira, 12, na Netflix.

Depois de oito anos sem subir no palco, o compositor reuniu em 1975 um eclético grupo de artistas para acompanhá-lo em seu retorno, em uma turnê de 57 shows nos Estados Unidos e no Canadá.

Embora pudessem lotar grandes estádios, Dylan e seus músicos e amigos, entre os quais estavam Joan Baez, Bob Neuwirth e Roger McGuinn, preferiram se apresentar em salas pequenas.

Tal decisão fez com que a turnê, nas palavras do próprio Dylan no documentário, fosse um "fracasso" em termos econômicos, embora não tenha ficado marcada assim em sua lembrança.

Mais de quatro décadas se passaram desde essa aventura, durante a qual o gênio musical escreveu uma das suas canções mais famosas e aclamadas: Hurricane, inspirada na história do boxeador Rubin "Hurricane" Carter, que não voltou a cantar ao vivo desde 1976.

O próprio Carter, falecido em 2014, aparece no filme para elogiar Dylan, que popularizou seu caso graças a uma das poucas músicas de protesto que escreveu na década de 1970.

"Aqui vem a história do Furacão/O homem que as autoridades culparam/Por algo que ele nunca fez", escreveu o músico sobre a prisão de Carter, culpado de um triplo assassinato em dois julgamentos realizados em 1967 e 1976, mas que teve a condenação revogada em 1985.

O documentário mostra quando Dylan foi visitar na prisão o boxeador, que afirma que Bob "estava sempre buscando algo".

Afirmação que, no entanto, o compositor contesta quando diz que "a vida não é sobre encontrar a si mesmo ou encontrar algo; a vida é sobre criar a si mesmo".

E o artista não só conseguiu este último objetivo, como também construiu uma lenda que em 2016 se consagrou como o primeiro músico na história a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura.

Já em 1975, Dylan, com a cara pintada de branco como fez em boa parte dos shows da turnê Rolling Thunder Revue, se caracterizava como ídolo.

O filme mostra essa aura de mistério e de superioridade única dos gênios e a profunda admiração que sentiam por ele todas as pessoas que o cercavam, que o consideravam uma espécie de deus da música.

Um dos momentos mais surrealistas da produção é quando a atriz Sharon Stone, a quem Dylan convidou para assistir a um show nos bastidores, interpreta que a música Just Like A Woman é dedicada a ela.

Sharon lembra como começou a chorar pensando que esses versos dedicados a uma jovem que "faz amor igual a uma mulher adulta" foram escritos para ela, até que lhe disseram que a melodia foi criada dez anos antes.

O documentário também não deixa de lado o componente social e reflete a conturbada situação dos Estados Unidos durante a famosa turnê.

Esta é a segunda vez que Scorsese adentra no gênero do documentário para contar parte da história de Bob Dylan, como já fez em 2005 com No Direction Home, no qual explorou sua polêmica transição do folk acústico para o rock.

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