Reuters/Minwoo Park
Mino e Kang Seung Yoon em frente às obras em um café de Seul, na Coreia do Sul.  Reuters/Minwoo Park

Do palco à tela: astros de K-pop preparam exposição de arte em Londres

Os astros de K-pop Song Min-ho e Kang Seung-yoon selecionam pinturas e fotos para uma exposição em Londres

Minwoo Park e Marie-Louise Gumuchian, Reuters, Seul

12 de abril de 2021 | 07h34

Em um café de Seul, os astros de K-pop Song Min-ho e Kang Seung-yoon debatem uma seleção de suas pinturas e fotos que seguirão para uma exposição em Londres, no segundo semestre. Conhecidos principalmente por sua música, os colegas da banda Winner exibirão sua arte ao lado do também cantor de K-pop Henry Lau na Feira de Arte Start, que acontecerá na Galeria Saatchi e coincidirá com a famosa Semana de Arte Frieze. "A música conta uma história, seja com final feliz ou final triste, parece haver um fim claro", disse o rapper Song, mais conhecido pelo nome de palco Mino, à Reuters. "Na arte, cada pintura tem uma caracterização diferente, mas parece que sempre existe um final em aberto, e isso faz as pessoas pensarem muito".

O artista de 28 anos, que começou a pintar com tintas acrílicas quando tinha pouco mais de 20 anos, fez sua estreia pública como pintor em 2019 em uma exibição em Seongnam. Ele apresentará uma seleção de pinturas que inclui um autorretrato de uma figura escura cercada por balões coloridos na capital inglesa.

Mino e Kang, cantor, compositor e produtor conhecido como Kang Seung Yoon, apresentam suas obras de arte com os pseudônimos Ohnim e Yoo yeon, respectivamente. Kang mostrará fotos em preto e branco tiradas durante várias viagens.

"Por causa do nosso universo de fãs e nossa fama, acho que apresentamos muitas pessoas que não estavam interessadas em arte ao mundo da arte", afirmou.

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Análise: Grupo de k-pop BTS desafia Grammy a reconhecê-lo como maior fenômeno do pop mundial

O fato de usar o grupo para ganhar audiência em shows mas não premiá-lo tem apontado para um temor da Academia em admitir a supremacia de um sistema de entretenimento asiático que está fora de seu controle

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 15h00

O efeito BTS no mundo atingiu um novo status com o último Grammy. O fato de não saírem com o prêmio de Melhor Performance de Pop ou Dupla pela música Dynamite provocou uma comoção nas redes imediatamente após a premiação e fez o que ainda poderia ser uma bolha, uma imensa bolha capaz de assistir só ao clipe oficial da música no YouTube, até a noite de ontem, por 927.372.811, explodir. O Grammy conheceu a fúria dos army, a forma como os fãs da banda são chamados, e ouviu acusações de ter sido injusto na premiação com postagens como: “O BTS continua quebrando recordes e o Grammy continua perdendo a relevância, quem realmente precisa de quem?”

O Grammy tem tido cautela demais com o BTS. Apesar de levar o grupo sul-coreano para cantar em outras duas edições, em 2019 e 2020, e de ter reservado a eles um inédito espaço nobre, antes do anúncio da categoria principal na edição de domingo (15), o maior mobilizador de massas da atualidade ainda não entrou no radar dos jurados da chamada Academia. Mesmo sob pressão dos army, eles escolheram, para a Melhor Performance Pop, Lady Gaga e Ariana Grande, que dividem a música Rain On Me. Um feat quase imbatível e uma performance de produção excepcional, mas de abrangência (e, falando a língua do Grammy, números importam sim) risível perto da k-band: 292.195.208, quase 600 milhões de views a menos.

O fato é que o BTS incomoda o Grammy por algumas razões. O grupo vem de um lugar do planeta que jamais havia pisado o tapete vermelho da instituição. Ele também é produto de um sistema, mas de um outro sistema, e isso incomoda a quem está acostumado a ser o único sistema. Quem conduz a usina BTS é a empresa Big Hit Entertainment, uma moderna plataforma de negócios sul-coreana fundada em 2005 pelo compositor e produtor Bang Si-hyuk, que cuida também da carreira de artistas como Lee Hyun e o grupo TXT. Em fevereiro, a nova potência dos negócios da música asiática se aliou à Universal Music para anunciar um novo supergrupo para 2022, quando os sistemas se encontrão. Por enquanto, o BTS é uma ameaça.

A bolha explodiu primeiro naturalmente dentro na Coreia do Sul, que está longe de ser a do Norte mas que segue diretrizes de uma cultura e uma política eminentemente conservadoras. Assim, foi corajoso que os meninos falassem de direitos LGBTQ, saúde mental e liberdade de expressão verbal e corporal logo que surgiram. Mas, ao saírem pelo mundo, nem os fãs perceberam o quanto é limitador o fato de usarmos ainda o termo k-pop para apresentá-los, como se fosse importante sempre localizá-los geograficamente. Só quando se fala do pop da Coreia do Sul e do Japão, com o menos planetário j-pop, que os nomes dos países vêm à frente do termo. E por que, sendo que suas músicas não são tocadas com kayagum nem trazem nada de tradições sul-coreanas como o arirang? Para delimitá-los e exotizá-los.

O BTS, enquanto isso, empilha superlativos para colocar o Grammy do ano que vem em um dilema. A resistência da premiação em consagrar um grupo que não tem origens no Ocidente – leia-se, território norte-americano – será flagrante e poderá abrir uma nova e populosa militância ainda adormecida por apenas não ter a natureza de gritar. Depois de atender às demandas raciais e de gênero, poderá, em última instância, ser acusada de praticar sinofobia se insistir em só chamar o BTS para cantar, usando-os para inflar sua audiência mas renegando-os às cercanias do k-pop.

Já aconteceu uma vez. Quando o pop latino ficou grande demais – não leia-se Brasil – o Grammy saiu-se bem. Criou o Grammy Latino em 2000 para abrigá-lo, inclusive aos brasileiros, e evitou embates desnecessários de J Balvi com Lady Gaga. Com a Ásia, é diferente. Não há um cenário abrangente que justifique um setor segmentado, não há como despachar o BTS para a categoria Global Music, a nova Word Music, que seria seu lugar por definição, e não é mais possível fingir que eles não existem. Dar espaço ao rap e às mulheres do R&B para vender pluralidade e justiçamento histórico é necessário, mas não é só. Libertador seria o Grammy reconhecer que o mais recente fenômeno inquestionável da música mundial não foi fabricado pelos Estados Unidos.

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'Cultura do k-pop é muito participativa e fãs sabem que têm poder', diz pesquisadora

Para a diretora do Centro de Estudos de Performance da UCLA, Suk-Young Kim, comunidade corporifica uma grande dimensão de ativismo social

Entrevista com

Suk-Young Kim

Thaís Ferraz, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2020 | 04h30

O envolvimento de fãs de k-pop em recentes eventos políticos nos EUA não deveria ser uma surpresa – é o que acredita a professora de Estudos Críticos e Diretora do Centro de Estudos de Performance da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), Suk-Young Kim. Em entrevista ao Estadão, a autora do livro K-pop Live: Fans, Idols, and Multimedia Performance (K-pop Ao Vivo: Fãs, Ídolos e Performance Multimídia, Stanford University Press, sem tradução no Brasil) afirmou que a comunidade reunida em torno do gênero musical é consciente e se preocupa em gerar impacto social. “Há uma grande dimensão de ativismo corporificada na base de fãs do k-pop”, disse. 

Embora muitos fãs estejam orgulhosos de ações como o esvaziamento do comício de Trump, a sabotagem de hashtags de extrema-direita e a derrubada de um aplicativo de vigilância da polícia de Dallas, Suk-Young afirma que há uma espécie de sentimentos mistos em relação ao envolvimento político. “Alguns estão preocupados porque não querem ser relacionados à política americana e sofrer algum tipo de represália, até por toda essa ameaça de banimentos de aplicativos como o TikTok que Trump anda fazendo”, explica. 

Confira a entrevista completa: 

O que se sabe sobre os fãs de k-pop, na Internet e fora dela, em termos demográficos?

É um pouco difícil de saber, mas existem algumas formas de se ter uma ideia. Se você analisar visualizações do YouTube, é possível saber onde estão os espectadores. Antes do BTS, a grande maioria deles estava localizada na Ásia, especialmente no Japão e no sudeste asiático, e a atividade online ainda era restrita na China, mas fãs chineses existiam. Com a ascensão de grupos como o BTS, os padrões se tornaram mais diversos ao redor do mundo. De repente, havia muitos fãs na América do Sul, no México, na África, na Austrália, na América do Norte...em resumo, hoje o k-pop está realmente em todos os lugares, ele é global.

É possível determinar o momento em que o k-pop ‘dominou’ a internet e as mídias sociais no Ocidente?

Se olharmos apenas para a internet, eu acredito que isso tenha acontecido entre os anos de 2011 e 2012. Em 2012, houve uma grande expansão de visualizações no YouTube, principalmente por causa de Gangnam Style, do Psy, que alcançou uma popularidade global (o vídeo se tornou o primeiro a ultrapassar 1 bilhão de visualizações no Youtube) – embora eu não concorde que Psy é k-pop, o que ele faz naquele vídeo é uma paródia do k-pop. Por causa do interesse nele, as pessoas estavam olhando mais para a música coreana, então eu acredito que foi nesse momento que ela se tornou global. Em termos de shows ao vivo, isso aconteceu mais ou menos na mesma época. Em 2011, a Super Junior fez sua primeira tour mundial, com ingressos esgotados, e acho que foi a primeira vez que uma banda de k-pop se apresentou fora da Ásia.

A forma como os fãs de k-pop consomem conteúdo na internet é muito diferente se comparada a outros grupos de fãs?

Sim. Muito. Os fãs de k-pop, mesmo antes de bagunçar com o comício do Trump em Tulsa, reservando tickets e não aparecendo, já usavam as mídias sociais para participar e moldar as carreiras dos seus ídolos, comprando, dando streamings...porque a indústria do k-pop é desenhada de um modo que os ídolos não podem fazer sucesso, nem crescer, se não houver participação dos fãs. Quando  os grupos lançam novos álbuns, os fãs se mobilizam para gerar os conteúdos mais retuítados, e quando os músicos lançam um novo clipe, os fãs estão constantemente dando streamings. Eles assistem sem parar para inflar as estatísticas, de modo que as músicas consigam entrar nas paradas musicais. Então é como se fosse uma organização política ou religiosa em que eles estão completamente mobilizados para dar apoio aos seus ídolos. Eles realmente enxergam isso como uma cultura participativa e sabem que têm poder, então é bem diferente de, por exemplo, fãs de Taylor Swift usando as mídias sociais. Porque os fãs de k-pop sabem que o destino dos seus ídolos literalmente depende deles.

Então essa mobilização online não te surpreendeu?

Não, de jeito nenhum. Honestamente, me deixou orgulhosa. Geralmente o k-pop é "varrido para lá" como esse tipo de música de entretenimento boba e adolescente. Norte-americanos realmente têm uma resistência em relação ao gênero. Eles acham que é um tipo de música fake, que são robôs dançando...mas na verdade há uma grande dimensão de ativismo social corporificada na base de fãs do k-pop. Geralmente, o que eles fazem é realmente pensar sobre o impacto social  que podem gerar. Quando os ídolos fazem shows em uma cidade, por exemplo, geralmente os fãs doam dinheiro para a caridade local. Eles são muito conscientes em relação a gerar bom impacto social, então isso não me surpreende de forma nenhuma. 

Essas mobilizações recentes, como o caso do comício de Trump e a sabotagem do aplicativo da polícia de Dallas, empoderaram politicamente a comunidade de fãs de k-pop?

É interessante. Eu acho que os fãs que participaram estão muito orgulhosos disso. Eu venho seguindo algumas contas no Twitter para ver o que eles realmente dizem sobre. Eu acho que eles estão muito orgulhosos disso porque se veem como parte do movimento Black Lives Matter. E uma coisa notável sobre fãs de k-pop, principalmente nos Estados Unidos, é que muitos são afro-americanos. Porque a influência do k-pop é forte em fãs que pertencem a minorias, em pessoas que sentem que não se encaixam na cultura de Hollywood, na cultura da Billboard, eles se veem como uma extensão do Black Lives Matter e se orgulham disso.

No entanto, alguns fãs de k-pop na Coreia estão preocupados, porque eles não querem ser relacionados à política americana e potencialmente sofrer algum tipo de represália, até por toda essa ameaça de banimentos que Trump anda fazendo, como no caso do TikTok. Então eles se preocupam com esse tipo de reação do governo dos EUA. Mas isso ainda não aconteceu, então...de certa forma, eu acho que há uma espécie de sentimentos mistos em relação a isso.

Qual é a posição dos ídolos e da indústria, nesse sentido?

É uma resposta clara: os ídolos não são encorajados a participar da arena política de forma nenhuma. Eles são treinados para não se envolver em política, porque, da perspectiva das empresas que gerenciam suas carreiras, o objetivo é que eles sejam populares de forma geral, para todos os grupos. Então eles realmente não são encorajados a se envolver ou a falar sobre. Quando eles fazem algo nesse sentido, há sempre alguma espécie de represália. Sim, algumas vezes ídolos voluntária ou involuntariamente acabaram se envolvendo, e o resultado foi uma péssima reação a isso.

Mas o BTS doou US$ 1 milhão para o movimento Black Lives Matter. Foi uma exceção, um caso isolado?

Não foi um caso isolado, mas apareceu na mídia porque eles são muito conhecidos e populares. Não é uma exceção porque outros ídolos doaram para outras causas sociais, como por exemplo quando o Japão sofreu aquele terremoto terrível em 2014. Mas o BTS é realmente um pouco diferente do resto porque eles tendem a ser um pouco mais abertos em relação a algumas visões políticas, como no caso do Black Lives Matter. No discurso que deram na ONU, como embaixadores para a campanha Love Myself (Amar a mim mesmo, em tradução livre), a base é que você devia amar a si mesmo independentemente da sua raça, gênero ou orientação sexual, então eles mencionaram a comunidade de fãs LGBT como parte do que eles apoiam e de quem eles amam. Então nesse sentido, eles caminham por terrenos mais delicados, mas eles fizeram isso de um jeito muito cuidadoso. Eles são tipo mestres em mandar mensagens positivas, em serem um pouco mais politicamente abertos do que outros grupos de k-pop.

Você acredita que essas recentes mobilizações possam de alguma forma afetar o cenário das eleições de novembro, ou as próximas, ou outros eventos políticos no mundo?

Eu acho que elas terão impacto nas eleições na extensão em que você está ‘pregando para o coro’, pregando para a sua base. A base de fãs de k-pop...a maioria dela é formada por minorias, afro-americanos, ao menos nos Estados Unidos. Mas também acho que isso pode alienar uma parte dos fãs porque...quando eu sigo grupos no Twitter e outros aplicativos, ocasionalmente há fãs de k-pop que são republicanos fervorosos e apoiadores de Trump. E eles sentem que o k-pop não deveria estar se envolvendo em política...mas eles são minoria. A maioria dos fãs de k-pop são geração Z, millennials, que estão muito descontentes com o governo atual, então acho que isso terá um impacto na medida em que solidifica uma espécie de base de fãs democratas. Eu não acho que isso vá criar um novo movimento, mas reafirmar e solidificar o que já vem acontecendo na base de fãs.

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Fãs do BTS doam R$ 48 mil para ONG especializada em câncer infantil

Ação ocorre pelo 2º ano seguido e é uma forma de comemorar o lançamento da música ‘Promise’

João Pedro Malar*, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2020 | 11h03

Um fã clube do cantor Jimin, membro do grupo de K-pop BTS, doou na segunda-feira, 28, o equivalente a R$ 48 mil para uma ONG especializada em cuidados para crianças com câncer infantil. A ação ocorre anualmente para comemorar o aniversário da música Promise.

A doação foi informada pela Korea Leukemia Children's Foundation (Fundação da Coreia para Crianças com Leucemia) pelo Twitter, que publicou um certificado da doação. A publicação contou que a iniciativa foi do fã clube All For Jimin (Todos por Jimin), que reuniu cerca de 10,13 milhões de won, moeda da Coreia do Sul.

Em seu site, a ONG explica que foi “criada para apoiar crianças com câncer na infância a terem uma vida saudável e feliz e ajudá-las a se tornarem membros saudáveis ​​da sociedade”. Uma outra doação foi feita em 2019 pelo fã clube, com o mesmo valor.

A ação é feita pelo grupo para celebrar o lançamento de Promise, em 2018, a primeira música autoral de Jimin. Com 25 anos, o cantor é um dos sete membros do BTS, o grupo de pop sul coreano mais famoso do mundo.

Na conta da ONG no Twitter, há diversas publicações de outras doações feitas por fãs de grupos ou cantores de K-pop ao longo do ano, como Super Junior, SF9, Iz*One e Mamamoo.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais

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