DK7 dilui o retrô na acidez de seu primeiro álbum

A Suécia não é conhecida musicalmente apenas pelo pop de grupos como Abba, Roxette e Ace of Base. Na música eletrônica, o sueco Jesper Dahlbäck é um dos DJs e produtores mais versáteis e talentosos da atualidade. Profissional desde 1993, ele já produziu EPs, remixes e faixas famosas do house, tecno e electro. Seu principal trabalho em 2005 foi o álbum Disarmed, lançado em outubro na Europa, fruto de seu projeto DK7, um duo com o irlandês Mark O´Sullivan, que mistura o acid house do começo da década passada com influências claras da new wave dos anos 80. Jesper destacou-se em uma cena com nomes como Adam Beyer, Cari Lekebusch, Joel Mull e Samuel L. Session, que formataram durante os anos 90 o techno como conhecemos hoje: cheio de loops, grooves e melodias intensas e aceleradas. Ganhou notoriedade justamente por suas produções não se restringirem a um estilo único, variando entre o tecno e house. É dele os projetos e codinomes Lenk, Fleur, Air Frog, e DK, entre outros. Deste último veio um de seus maiores sucessos, Murder Was the Bass, tocada e remixada a exaustão pelos principais DJs de tecno do mundo. Stockholm, de 1999, foi seu primeiro álbum de estúdio. Feito com a alcunha de The Persuader, tornou-se um clássico da deep house mundial. Suas músicas passaram por importantes selos como 20:20 Vision, Drumcode, Svek. Disarmed é o resultado final do DK7, projeto que já estava sendo testado há três anos através do lançamento de singles: The Difference, o mais conhecido, de 2003, White Shadow/Sliptsream, de 2004, e Where´s the Fun, do começo deste ano. Nós trabalhamos juntos, o Mark cuidava das letras e eu fiquei mais responsável por escrever as batidas das músicas, explica Jesper, em entrevista ao Estado. Eu digo escrever porque as batidas são os caracteres da música eletrônica. Às vezes elas falam por si mesmas e, em outras, os vocais fazem mais sentido, completa. Vozeirão - Jesper e Sullivan se conheceram nos anos 90 e começaram a trabalhar juntos em Stockholm, quando Sullivan participou do álbum como guitarrista. Ele, um irlandês de Cork, segunda maior cidade do país, mudou-se para Estocolmo em 1994 e alcançou certa notoriedade com suas produções pelo projeto The Mighty Quark, que juntava bases e vocais da house music com elementos do dub jamaicano. Sullivan empregou em Disarmed seu vozeirão de machão irlandês para falar sobre música, noite e diversão. Where´s the Fun, uma ode existencial típica da ressaca de quem busca a noite e a música como diversão, fica ainda mais soturna com sua base ácida e sentimental. Eu só cantei porque o Jesper não quis. Na verdade, eu não me vejo como cantor, comenta Sullivan, lembrando que também participou da produção das faixas. Recheado de influências claras da acid music e dos oitentismos do electro e new wave, Disarmed foi lançado pelo selo inglês Output, um dos responsáveis pela recente onda do discopunk. O álbum não pode ser definido simplesmente como um trabalho retrô, já que a harmonia com que Jesper misturou tanta referência e a própria criatividade entre as faixas fazem Disarmed ser único. Fade in tomorrow, uma das mais dançantes lembra o auge de Laurent Garnier. Where´s the Fun é como se o Soft Cell tivesse feito sucesso no ápice da era raver. O disco está à venda no site da Amazon (www.amazon.com). Tour - Atualmente, o DK7 promove o álbum em tour pela Europa, tocando em países como Alemanha, Holanda, Espanha, Bélgica e Inglaterra. Uma visita ao Brasil deve ocorrer no primeiro semestre do ano que vem, por mais que os clubs mais cotados para a apresentação, D-Edge e Lov.e, neguem. Não é um show de banda, no entanto. É o Mark cantando e eu tocando, cuidando da engenharia de som também, já que temos de garantir qualidade de som plena, principalmente para os vocais, que são cheios de efeitos, explica Jesper, que fez um DJ set com pista lotada em março, na D-Edge. Ele também participou da co-produção de Sexor, o novo álbum do canadense Tiga, com os irmãos belgas Stephen e David Dewale, do 2Many DJs e Soulwax. O álbum deve sair no começo de 2006. Ele assina o remix mais interessante de You Gonna Want me, a faixa do álbum que tem vocais de Jake Shears, do Scissor Sisters, música tocada por nove entre dez DJs de electro. Jesper e Tiga são amigos há tempos, e o sueco produziu Pleasure from the Bass, um dos maiores hits de Tiga.

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