DJ Hum troca rap de protesto por ritmo dançante

O disco de estréia do grupo Motirô, do DJ Hum e do rapper Lino Crizz, está 70% pronto. E já tem uma história singular, a merecer destaque tanto na trajetória do hip hop nacional quanto na da própria música brasileira: chegará às lojas no começo de dezembro com seu carro-chefe, a música Senhorita, completamente estourada nas paradas. "Como Senhorita só saiu em vinil e ringtone (música para telefone celular), e depois no Humbatuque, que é uma compilação, achamos que ela deveria sair também no disco do próprio Motirô. Até porque, agora, com uma grande gravadora (a EMI), o alcance da música pode ser ainda maior", adianta o DJ Hum, durante uma das sessões de gravação do disco, no Atelier Studio, acompanhada com exclusividade pela reportagem. Senhorita é mais do que um hit sensual. É uma espécie de barricada de resistência dos músicos independentes, em contraposição às vontades das majors. Recusada por diversas gravadoras, ela virou sucesso como toque de celular - foram mais de 65 mil downloads -, foi lançada em disco independente e só depois parece ter merecido a atenção de uma major. "Eu levei a música a todas as gravadoras que você pode imaginar", conta DJ Hum, reconstruindo a saga que começou no fim de 2003. "Todos os executivos diziam que não era hora de investir em rap." O rap, de fato, vivia um momento ruim, que teve início em 2001. Na impossibilidade de lançar os "novos Racionais", as gravadoras fecharam núcleos e dispensaram seus artistas do gênero. DJ Hum, ele mesmo um dos fundadores do rap nacional, percebeu que era hora de reinventar e voltou às raízes do hip hop, brincando com o groove e deixando a música de protesto um pouco de lado. "No Brasil inteiro, onde eu ia discotecar os DJs me pediam rap de pista", conta ele. "É um hip hop que você pode dançar, que tem groove, sabe? Porque tem rap que tem mais letra, conteúdo e tal, mas não tem groove. Eu percebi, então, que isso poderia ser um mercado e veio a idéia para Senhorita." Depois do sucesso de Senhorita como toque de celular, DJ Hum lançou a música como uma das faixas da coletânea Humbatuque Club, do seu próprio selo, o Humbatuque, em dezembro. O disco reúne a turma de Hum - Lino Crizz, Mara Nascimento, Paula Lima, Xis, entre outros. Independente, vendeu toda a primeira tiragem, de 10 mil cópias. "É um disco para o cara ouvir no churrasco", classifica DJ Hum. A idéia é que a música chegue pronta para tocar na festa - por isso, as faixas entram no disco sem interrupção. É a nova moda entre os produtores internacionais. Tanto, que o novo disco de Madonna - Confessions On A Dance Floor, que sai em novembro - é assim. "O disco vem totalmente mixado, ou seja, as faixas entram sem intervalos, com uma performance de DJ entre uma e outra", explica Hum.

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