Diversidade marca terceira eliminatória do Visa

Foi de música de diversas tendências a terceira eliminatória do 4.º Prêmio Visa de MPB - Edição Instrumental, apresentada na terça-feira, na sala Rubens Sverner, do Teatro Cultura Artística. Houve samba, choro, frevo, toada em diálogo de violões, desconstrução de Jobim, fusão em guitarra com sabor de anos 80. Houve novatos e veteranos - nesta edição, o concurso não fez restrição à idade dos concorrentes, como ocorreu nas três anteriores.A noite foi aberta pelo jovem gaitista Gabriel Grossi, que tem íntima ligação com o choro e trouxe ao palco, como um de seus acompanhantes, o violonista Daniel Santiago. Daniel, de Brasília, está também concorrendo ao prêmio, em duo com o também violonista Rogério Caetano. A dupla havia tocado na noite anterior. Gabriel Grossi montou para repertório a homenagem a Pixinguinha - um choro - da Suíte Retratos, de Radamés Gnattali; o frevo Taiane, de Osmar Macedo (do Trio Elétrico Dodô e Osmar); o Choro pro Zé, de Guinga; e o samba Cai dentro, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. São todas peças difíceis, que exigem técnica e sensibilidade - só com técnica, soam mecânicas; sem a técnica, é impossível apresentá-las. Ele venceu.Entrosamento que vem de mais de 20 anos de estrada, impressionante dinâmica e abordagem particular de temas conhecidos - Palhaço, de Egberto Gismonti, Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré, Tropicália, de Caetano Veloso - são marcas do Duofel, formado por Luiz Bueno e Fernando Melo, os segundos a se apresentarem na noite. O duo reafirmou suas muitas qualidades.Surpreendente foi o candidato seguinte, o Grupo Tetralogia, formado pelo clarinetista e claronista Luís Afonso Montanha, pelo violonista Newton Carneiro, pelo percussionista Carlos Tarcha e completado pelo violoncelista Dimos Goudaroulis. Eles fazem música de desconstrução e reconstrução - Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, Chovendo na Roseira, de Tom Jobim. Tocaram apenas três números, cumprindo, entretanto, os 20 minutos de apresentação que o regulamento impõe.O guitarrista Dino Rangel fez o último show da eliminatória, com música de fusão - samba e jazz, samba-canção e jazz, música nordestina e jazz. Trouxe, entre bons músicos, um integrante por muitos anos do grupo de Hermeto Paschoal, Márcio Bahia. Trabalho digno. A próxima eliminatória do prêmio será realizada na quarta-feira.

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