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Diva da nova geração da música malinesa, Fatou estreia no País

Cantora de 30 anos gravou disco com baixista do Led Zeppelin e se apresenta no festival Back2Black, no Rio de Janeiro, neste domingo, 25

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 07h00

Bonita, cosmopolita, sofisticada, inteligente, engajada. A cantora malinesa Fatoumata Diawara, ou simplesmente Fatou (Fatú), como é conhecida, é a diva mais recente de uma terra em que as divas estão por todo lugar: o Mali, país no Oeste africano do tamanho do Alasca, nos Estados Unidos.

Fatou tem 30 anos e estreou em disco no ano passado, com o álbum que leva seu nome, do selo World Circuit. Os músicos são um luxo: na cozinha, pontifica um certo John Paul Jones (que vem a ser mesmo o baixista do Led Zeppelin, sujeito que parece ter um radar bem antenado com as pérolas do mundo); o baterista é o grande Tony Allen (que tocava com Fela Kuti); e o malinês Toumani Diabaté toca kora (a guitarra primitiva do Mali, que dizem estar na base do blues norte-americano). O Sunday Times elegeu Fatou o álbum de world music número 1 em 2011.

“No Mali, há uma tradição muito antiga, muito musical, em que cada região faz sua música intimamente ligada à sua língua (fala-se, no país, sete línguas: peul, tamachek, songhai, gozo, hassania, dogon, wassolou, além do francês colonizador). E assim, cada região tem seus músicos e seus estilos muito diferentes, daí tanta riqueza e diversidade”, explica Fatou, falando ao Estado por telefone de Paris, onde vive. Ela se apresenta no Brasil pela primeira vez, no festival Back2Black, na Estação Leopoldina, no Rio. “E há instrumentos e formas musicais que são muito enraizados, nunca mudaram. Isso também faz com que a música ali seja bastante original.”

Fatou conta que, na verdade, nasceu na Costa do Marfim, filha de pais malineses, e cresceu no Mali. Ao se recusar a ir à escola, ainda criança, foi castigada e obrigada a fazer todo o ciclo escolar de novo, e revoltou-se. Aos 19 anos, fugiu para Paris e engajou-se na companhia Royale de Luxe, uma trupe semelhante ao Cirque du Soleil. Desde então, denuncia as barbaridades da privação da liberdade em sua terra, além de temas como o abandono de crianças, a circuncisão feminina e a guerra.

Ela comentou declaração dada nos anos 1990 por um dos ídolos do Mali, Ali Farka Touré, de que a profusão de talentos musicais no Mali não era maior porque não havia estúdios para fazer gravações. “Antes era de fato difícil, mas agora não é mais. Esses artistas todos que se tornaram famosos, como Habib Koité, Salif Keita, Ali Farka, todos construíram estúdios que passaram a fazer gravações de todo tipo. Tudo é mais fácil agora.”

Casada com Nicolo, desfruta da vida noturna na Bastilha e se tornou uma cantora cult na França - também é atriz, atua no teatro e no cinema. “São mundos muito diferentes, o da música e o da atuação. Percorro os dois, mas a música é a minha vida, é o que me nutre de esperança, de bom humor. Como eu imagino que signifique para os artistas brasileiros, como Gilberto Gil, que eu adoro”, ela diz.

Muitos músicos têm ido até o Mali em busca desse eldorado musical que gerou artistas como Fatou: Manu Chao, Ry Cooder, Bela Fléck (que fez um belo documentário com a participação de Oumou Sangaré, cantora que é mentora de Fatou, chamado Throw Down Your Heart).

“Eu sempre ouvi de tudo. Toda a música em geral. Ouvi muito a música do Mali, e também o jazz americano. E o reggae, amo muito Bob Marley, o reggae está por toda parte. Tudo que tem melodia eu gosto”, ela afirma.

A sua maior influência é Oumou Sangaré, que veio ao Back2Black no ano passado. Oumou faz um tipo de pop africano que não vive só de um transe característico, mas de um ouvido aberto ao mundo, com sua mistura de instrumentos africanos tradicionais (ngoni, balafon, flautas e percussão) com órgão, guitarra elétrica, saxofone e trombone. Oumou começou a cantar nas ruas de Bamako, a capital, ainda criança, para ajudar a mãe - o pai largou a família quando ela tinha 2 anos. “Aos 13 anos, eu era responsável por toda a minha família”, contou. “Cantava em casamentos e batizados para conseguir dinheiro.”

BACK2BLACK

Fatoumata Diawara, domingo, 25, às 21h40. R$ 150/ R$ 370. Programação completa:  www.back2black.com.br

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