Disco traz 16 faixas clássicas da rainha do blues

Entre 1942 e 1954, Billie Holiday gravou para a Blue Note o álbum Billie´s Blues. Era uma mistura de gravações, boa parte delas feita durante uma excursão pela Europa. Em três delas, o clarinetista Buddy De Franco, grande instrumentista do pós-swing, era o líder. Billie tinha na banda os trompetistas Don Waddilove, Monty Kelly e Larry Neill, os trombonistas Skip Layton e Murray McEachern, os pianistas Sonny Clark, Beryl Booker, Bobby Tucker, Buddy Weed e Carl Drinkard, os guitarristas Jimmy Raney, Minke Pingitore e Tiny Grimes, entre outros.Em 2001, no Brasil, a Nikita Records lança Billie´s Blues, álbum com 16 faixas clássicas da cantora de Baltimore. Qual Billie´s Blues é esse? Houve uma coletânea da Bulldog, em 1992, com esse nome. E três com o mesmo título em 1996, lançadas respectivamente pela Collector, Leader e Master Series. Saiu outra em 1998 pela Wolf Records. Este ano, o selo inglês Past Perfect lançou novo Billie´s Blues.Esse disco da Nikita segue a tradição das coletâneas mal editadas, sem referências a banda, datas e circunstâncias, como se isso não tivesse a menor importância. Também não chega perto da qualidade das coletâneas da Verve, como Billie´s Best, The Complete Billie Holiday on Verve 1945-1959 e The Very Best of Billie Holiday.Há descuido em quase tudo, o que sugere inclusive algo não-oficial. Escreve-se o nome da canção, "Billie´s Blues", sem apóstrofo. Há uma tentativa de simular a letra da cantora no encarte, para dar um toque "refinado" em composições originais.Ainda assim, qualquer Miss Brown to You com Billie é melhor que as superproduções das cantoras americanas que a mídia vive anunciando como "a nova Lady". Falta Strange Fruit no disco, mas há um delicioso They Can´t Take That Away from Me (George e Ira Gershwin).Todos os melhores atributos da cantora que tinha feeling de músico (e parecia improvisar uma linha distinta entre a instrumentação) estão em Swing, Brother Swing (de Bishop, Williams e Raymond). Para quem a vê apenas como a mulher que exibia sua dor em cena, essa admirável presença de crooner de big band mostra quão grande foi.Don´t Explain (Billie e Arthur Herzog Jr.), composta no período entre 1945 e 1948, um dos mais conturbados na carreira da cantora, é seu retrato mais bem-acabado, na rendição e desespero. Não é o único. Para conhecê-la melhor, vale tudo.Mas o melhor retrato da cantora está em outro álbum, também recém-lançado, desta feita pela Universal. É o disco da série Jazz, de Ken Burns, que apresenta Billie Holiday. Traz gravações raras, como o discurso de Billie Holiday na introdução de Fine and Mellow. Um pouco "alta", miss Holiday dá show e depois mostra sua voz inigualável. Billie´s Blues - Disco de Billie Holiday, com 16 canções originais. Lançamento Nikita Records. Preço médio do CD: R$ 20,00.

Agencia Estado,

28 de agosto de 2001 | 23h09

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