Disco reúne clássicos de mesa de bar

As músicas que fizeram sucesso nos anos 50, época de ouro da música popular brasileira, estão no disco Lembranças Cariocas, que registra as noites de samba do bar Carioca da Gema, na Lapa, centro da cidade. Era um projeto despretensioso, que já chegou a ter 5 mil discos vendidos em dois meses, cifra ótima para uma produção independente. Tudo começou no ano passado, quando o produtor Lefê Almeida fez um show em homenagem a compositores que completavam 100 anos de nascimento. "Virou uma pequena antologia de música popular carioca, termo que copiei de José Ramos Tinhorão, para definir um tipo de samba que se faz aqui, nem sempre por compositores nascidos no Rio, mas com características próprias", explica o idealizador do projeto, Luiz Francisco Almeida, o Lefê. "Dos compositores centenários passamos para as músicas que eram sucesso em 1952, há 50 anos."Lefê é um dos responsáveis pela volta do samba e do choro aos bares da Lapa, desde 1996, quando produzia shows no já fechado Arco da Velha. "O disco reúne gente com quem trabalho desde então", diz Lefê, referindo-se ao cantores Pedro Paulo Malta, Pedro Miranda e Nilze Carvalho, que antes já haviam feito o disco e o show Samba É a Minha Nobreza, com Hermínio Bello de Carvalho. "O Paulão Sete Cordas e a Cristina Buarque são companheiros mais antigos, mas o Lucas Porto, diretor musical, tem 25 anos e mescla a forma de tocar daquela época com as informações de hoje." O sucesso do show levou ao disco, lançado com casas lotadas durante um mês."Foi visto por umas 2 mil pessoas", calcula Lefê. Ele incluiu clássicos de 1952, como Nunca, Ninguém me Ama, Risque, Nem Eu, Não Tem Solução e Me Deixa em Paz (o samba canção em voga na época), Lata d´Água e Dama Ideal (sambas que faziam a crônica da cidade), clássicos de Carlos Cachaça (Alvorada, Quem me Vê Sorrindo e Não Quero Mais Amar a Ninguém) e cantados por Geraldo Pereira, ídolo da época (Dama Ideal), como numa noitada na Lapa carioca que hoje tenta reviver aquela época. Lefê tem planos para continuar o projeto. "Já penso no Lembranças Cariocas 2, com novas músicas, mas gostaria mesmo era de levar o espetáculo para São Paulo", arrisca ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.