Disco Music dos anos 70 vira artigo de museu

A disco music dos anos 70 virou museu. Foi inaugurada em Nova York uma exposição com objetos raros e curiosos sobre a era da discoteca. Entre eles, um dos primeiros mixers usados por DJs na noite e os sapatos que John Travolta usou no filme Embalos de Sábado à Noite.A New York Library of Performing Arts está mostrando há alguns dias uma exposição que vasculha a arqueologia da ´discothèque´. Estão, além dos sapatos de Travolta, a roupa com que Gloria Gaynor costumava cantar I Will Survive, as jaquetinhas de Barry e Robin Gibb, dos Bee Gees. Capas de discos, fotos, a moda e as histórias. "Nada daquilo que foi inicialmente revelado na era disco - seu ritmo monótono, seu som frouxo, sua descartabilidade, sua superficialidade, sua noção de música como pura diversão estúpida - incorporou-se ao mainstream do pop - de Backstreet Boys a Mary J. Blige, de Ricky Martin a Beck. A disco music, inventada para ser rasa e sintética, foi deixada para trás pelas raízes", escreveu um irritado Jon Pareles, em 17 de outubro de 1999, no The New York Times, a respeito do que pensava sobre um possível revival da disco music. Apesar das críticas, a disco music reaparece como um movimento libertário na exposição. Para os organizadores, sua influência foi decisiva para o cenário que vivemos hoje - especialmente para a tolerância em relação a gays e ao povo da noite. Há explicações históricas para sustentar a tese. Por exemplo: você sabia que, em 1960, uma lei em Nova York exigia que bares e clubes tivesse ao menos uma mulher para cada 3 homens? Era para evitar a socialização gay na comunidade. Outra história boa: em 1977, o guitarrista Nile Rodgers e seu parceiro foram barrados no Studio 54 por causa da roupa - paletó longo, bota de couro de jacaré e camisa florida. Rodgers voltou para casa e escreveu Le Freak, maior sucesso de sua banda Chic. A roupa que Rodgers usava naquela noite está na exposição.

Agencia Estado,

23 de março de 2005 | 16h23

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