Disco inédito de Tim Maia homenageia o Nordeste

Como numa profecia sertaneja, Juazeiro do Norte juntou-se a Detroit, nos Estados Unidos, o soul foi engravidado pelo forró e o funk foi embuchado pelo baião. Chegou hoje às lojas de todo o País um disco inédito deTim Maia, Forró do Brasil (Mazza Music, distribuição OuverEntertainment), o primeiro trabalho em que Tim canta apenasmúsicas nos estilos musicais do Nordeste. O responsável pelo "achado" é o ex-tecladista e ex-arranjador de Tim Maia, o carioca Cláudio Mazza, que tocou com Maia de 1989 a 1998, quando o cantor morreu.Para entender melhor o caso, é preciso voltar um poucono tempo: Em 1992, durante alguns shows em Fortaleza, Tim Maiadecidiu que gravaria uma música em homenagem ao Nordeste. Compôsa letra e Cláudio Mazza fez os arranjos da canção (O Nordeste ÉLindo). A canção entrou no disco Voltou Clarear, de 1993. Seria besteira dizer que Tim Maia era, àquela altura, umneófito em música nordestina. Uma de suas primeiras cançõesgravadas, Padre Cícero, já é um mergulho no universo domaracatu, do lundu, do baião e do xote, esse último o ritmopreferido do soulman. Mas os exemplos se acumulam: CoronéAntonio Bento, Festa de Santo Reis; tudo tem uma pitada deNordeste."Ele tinha muitos discos de vinil de músicos nordestinos, tinha o Gonzagão como referência e era muito eclético. Em tudo,ele colocava um tempero bem dele", conta Cláudio Mazza, queproduziu o álbum, junto com Roberto Lly. "No começo, essascanções iam sendo gravadas para entrarem num CD normal. Maschegou uma hora que o Tim já tinha 4 ou 5 forrós, e ele decidiufazer um disco só de forrós", conta. A morte de Tim Maia, em 1998, interrompeu o projeto. Agora, cinco anos depois, Cláudio Mazza, com autorização do herdeiro direto de Tim, o filho do cantor, Carmelo Maia, decidiu retomar a história. O disco tem 12 canções, 3 delas já gravadaspelo cantor. "Mas agora elas retornam com outra levada, sãooutras gravações", diz Mazza. Outras 7 são ineditíssimas, como obelo forró que abre o disco, Pra Fazer Você Feliz, feito em1996. "Essa nunca ninguém ouviu", delicia-se Mazza, co-autor dafaixa e o guardião da matriz da canção esse tempo todo, mesmolouco para ouvi-la no rádio. É a sua "faixa de trabalho".A Mazza Music, a gravadora de Mazza, estreourecentemente já de olho no patrimônio musical de Tim Maia. Osprimeiros lançamentos foram suas gravações de hinos de clube(Flamengo, Fluminense e Vasco), acrescidos de remixes e gritosde torcidas. A próxima missão de Mazza: lançar o filho de TimMaia, Carmelo, aos 28 anos, em um disco de hip hop. Sai no anoque vem.

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