Dinheiro, ou a falta dele, inspira vida da Rita Lee

Em entrevista, cantora afirma que paga para não sair de casa e diz que anda 'meio reclamona'

Fernanda Ezabella, da Reuters,

22 Fevereiro 2008 | 11h54

A cantora e compositora Rita Lee diz que paga para não sair de casa. Mas, segundo ela, ainda há um motivo "bastante instigante" que a faz cair na estrada, como agora, que está em turnê pelo país: dinheiro e os fãs, claro. "Só saio se me pagarem bem, esse é um motivo bastante instigante", disse em entrevista à Reuters, por email, completando na sequência que os fãs também são importantes. "O outro (motivo) é entrar em contato com os fãs e saber deles o que acharam do show, ouvir sugestões, dar e receber carinho." Rita Lee começou em janeiro mais uma turnê, que se estende pelo menos até abril, para comemorar os 40 anos de carreira. Aos 60 anos, a musa veterana não tem medo de deixar às claras que ultimamente anda "meio reclamona". Diz que tem pavor de voar de avião, que odeia dormir em hotéis, mas que tudo muda na hora de encarar a platéia. "Posso estar com um baita mau humor ou tpm, mas assim que piso no palco não tenho nenhuma saudade da minha casa no mato", disse a cantora, que mora em uma casa nos arredores da cidade de São Paulo. O show teve sua estréia no Rio de Janeiro, no Canecão, e passará neste sábado, 23, por Belo Horizonte. Em março, ela toca em Brasília e Curitiba; em abril, em São Paulo. O tema dinheiro, ou melhor, a falta dele, virou até mesmo tema para canções, como uma das duas músicas inéditas que vêm sendo apresentadas nos shows. "É uma balada e se chama Dinheiro, em que percebo que eu tenho de tudo nesta vida - amor, saúde, trabalho, família, amigos... mas sempre está faltando dinheiro", disse Rita Lee na entrevista. Homenagem aos chatos A segunda música nova se chama Tão e é descrita pela própria autora de "pauleira". "É em homenagem às pessoas chatas, não exatamente as pentelhas, (e sim) àquelas que de tão boazinhas, corretas e certinhas dá vontade de esganar", contou. Rita Lee sobe ao palco ao lado do parceiro Roberto de Carvalho e do filho Beto Lee, que há dois anos teve a filha Izabella, transformando em vovó a estrela do rock brasileiro. Ela explicou que a idéia para o nome da turnê, Picnic, veio de um dia de sol ou uma noite de lua cheia, regados "a guloseimas musicais dos meus 40 anos de estrada e 60 de vida". Mas será que não cansa repetir nos shows sempre os sucessos do passado, como Lança Perfume, Baila Comigo, Ovelha Negra e Doce Vampiro? "É normal", respondeu a eterna ruiva. "Na hora vem um prazer danado quando ouço as pessoas cantarem junto." Há cinco anos sem um disco de inéditas - o último foi Balacobaco - Rita Lee deu dicas de que um próximo álbum pode estar à vista. Não existe ainda data de lançamento, mas ela adianta que já tem um "grande material de músicas inéditas" e que estão sendo gravadas aos poucos no estúdio de sua casa. "As composições vão desde bossa, passando por boleros, baladas até porradas metálicas", disse. "Sou uma tropicalista e não tenho pudores em desfilar por quaisquer avenidas musicais."

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