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Dido fala sobre o novo ‘Still On My Mind’ e se declara fã de Billie Eilish

Dona de sucessos do FM e colecionadora de prêmios, cantora britânica lança novo disco e vem pela primeira vez ao Brasil com shows em quatro cidades

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2019 | 17h55

Com sucessos inesquecíveis, uma coleção de prêmios e indicações (inclusive para o Oscar) e cinco álbuns na bagagem – incluindo Still On My Mind, lançado este ano –, a cantora britânica Dido desembarca no Brasil no início de novembro para seus primeiros shows no País em 20 anos de carreira. Dona de hits como White Flag, Life for Rent e Thank You (que Eminem usou em uma de suas maiores músicas, Stan), a artista chega ao Brasil num momento em que aceita que o tempo passou na sua vida, mas ao mesmo tempo se dando a possibilidade de experimentar em sua música e em sua carreira.

Os shows no Brasil são nas seguintes datas, todas em novembro: dia 2, em São Paulo, no Credicard Hall; dia 3, em Belo Horizonte, no Km de Vantagens Hall BH; dia 6, em Curitiba, no Teatro Positivo; e dia 8, no Rio de Janeiro, no Km de Vantagens Hall RJ. Os ingressos para o show em São Paulo variam entre R$ 100 e R$ 700.

Dido lançou seu primeiro álbum, No Angel, há 20 anos, em 1999, para vender mais de 20 milhões de cópias numa época em que os CDs ainda eram o jeito usual de consumir música. Dois anos depois, no lançamento mundial do mesmo disco, a cantora viu sua fama ganhar alcance global. Thank You, uma balada pop que conjuga o violão acústico com uma bateria eletrônica, se tornou seu maior single – mas ganhou outro empurrão de escala mundial quando Eminem, no que se provaria ser o seu auge criativo e artístico, usou um sample da faixa em Stan, e Dido participou do clipe, presença constante na tela da MTV.

Seu álbum seguinte, Life for Rent (2003), deu prosseguimento ao sucesso da cantora e foi parar, junto com o primeiro, na lista de discos mais vendidos da década no Reino Unido. Mas esse foi o último ano que Dido saiu em turnês, e fora alguns shows esparsos, só se ouviu sua voz nos últimos 15 anos via estúdio: outros dois discos foram lançados, Safe Trip Home (2008) e Girl Who Got Away (2013), com recepção tímida de crítica e de público.

Mas, mesmo antes de lançar Still On My Mind, em março de 2019, Dido decidiu que era hora de sair em turnê novamente. “Eu gosto mais de fazer shows agora do que jamais gostei antes”, explica a cantora de 47 anos, por telefone, de Londres, onde vive. “Eu amo a banda, nós nos divertimos muito, os shows são demais. Onde quer que eu vá no mundo aparecem fãs. Estou me divertindo.”

O tom para cima que ela usa na entrevista naturalmente se reflete no novo disco, que desta vez angariou mais simpatia da crítica internacional. O álbum se aproxima das raízes de Dido – que, antes de se tornar uma pop star global, emprestou sua voz para canções do crescente hip hop inglês de final de século – ao dar acenos para o synth-pop e ao disco, sem deixar de lado as baladas de espírito folk com letras diretas sobre sentimentos universais.

Still On My Mind é o segundo disco que Dido compôs e produziu após o nascimento do filho, Stanley – o mesmo nome do personagem de Eminem. O nascimento, naturalmente, foi algo que mudou a percepção da compositora sobre música – sobre tudo. “Mudou a própria maneira de eu ver o mundo”, atesta Florian Cloud de Bounevialle O’Malley Armstrong (seu nome real), garantindo que está se sentindo bem chegando aos 50 anos. 

O novo trabalho começa com a artista cantando sobre superar dificuldades e sobre amor (muito do seu repertório aborda esses temas), mas o início de Hurricanes com apenas uma guitarra é logo substituído pela orquestração eletrônica que sustenta as 12 faixas do disco.

Take You Home é um house enfeitado com a voz sutil e bela de estrela pop que Dido manteve ao longo dos anos. A faixa título explora um beat trip-hop com letras lamentando o fato de ter abandonado um amor (embora a cantora esteja casada com o escritor Rohan Gavin desde 2010). Em Friends, a batida dance para cima contrasta com a mensagem da música, que diz “não importa como eu me sinto, já não somos mais amigos”. Have to Say, a faixa que fecha o disco, na verdade foi a primeira da nova leva que Dido compôs. “Você nasceu com um sorriso no rosto / e ele está lá todo dia” – canta para o filho, vencendo assim uma espécie de bloqueio criativo que a acometeu desde o nascimento: o fato de, a princípio, não querer escrever sobre o assunto.

Mas o seu método de composição sem muitas amarras colocou um violão em suas mãos e as palavras sobre maternidade começaram se alinhar. “Eu não achei que ninguém ouviria essa música, mas ela, na verdade, abriu os portões para a minha inspiração”, disse.

Ela afirma ter gostado do resultado de Have to Say. “Fiquei orgulhosa porque resume bem como eu me sinto como mãe e fala sobre esse amor incondicional”, explica a cantora. “Meu disco é sempre um reflexo de onde eu estou na vida, pode não ser intencional, mas certamente aparece.”

Outro é o fato de ela o ter coproduzido o álbum com seu irmão, Rollo Armstrong, parceiro musical também das primeiras empreitadas – o trabalho em família remete à outra pop star, 30 anos mais jovem e em alta conta nas paradas de sucesso e nas canetas dos críticos mundo afora: Billie Eilish. “Eu a amo”, diz Dido sobre a colega de profissão mais jovem. “Quando eu vi que ela também produzia com o irmão, achei tão cool, e me senti tão sortuda. Porque é muito bom não se sentir sozinha na indústria, ter um tipo de casa. Ela também tem a oportunidade de se apresentar com o irmão, o que eu achei demais – queria que Rollo estivesse na minha banda”, brinca.

O novo disco também não tinha um pré-contrato regendo as condições, o que a deixou livre para criar sem nenhum tipo de pressão externa. “Ninguém estava esperando isso. Foi libertador nesse sentido”, explica.

Dido passou muito tempo em casa – primeiro dando atenção ao pai, até sua morte em 2008, e mais tarde cuidando do filho, agora com oito anos – ela reconhece que o tempo afastada pode tê-la distanciado do show business e dos artistas mais jovens. “Eu apenas gosto muito deles. Respeito, ouço e apareço em shows. Procuro pessoas na internet, sempre admirei compositores cujas músicas eu e meu filho podemos cantar juntos. Tem tanta gente fazendo tanta coisa boa”, diz, otimista.

Para ela, parar de fazer turnês foi um processo orgânico, e não necessariamente uma decisão. “Eu não sabia que estava parando na época. Estava em turnê direto por nove anos, sem parar, e queria apenas ficar em casa. Meu pai estava doente na época, queria voltar para a minha família. E, então, todo esse tempo passou. O terceiro disco, que fiz nesse período, é tão obscuro, tão cru, que eu achei que não daria uma turnê. Depois com o quarto, foi quando meu filho nasceu, e eu não queria deixá-lo sozinho. Então, teve isso. Eu raramente faço planos, não tenho uma visão clara do que o futuro será. Eu estava perdendo coisas da vida.”

No fim de 2018, porém, um sino bateu e ela decidiu voltar para a estrada: shows na Europa e na América do Norte estão ocorrendo desde maio, e sua primeira turnê sul-americana começa no dia 31, em Buenos Aires. 

Mais experiente e voltando ao trabalho, a cantora diz não procurar respostas na arte para os problemas do mundo contemporâneo. “Quando o mundo fica mais incerto, eu foco em coisas menores. Eu não consigo olhar para o quadro geral justamente porque ele é muito grande.”

DIDO – STILL ON MY MIND TOUR

CREDICARD HALL. AV. DAS NAÇÕES UNIDAS, 17.955, SANTO AMARO, TEL. 4003-5588 2/11. DIA 2/11, ÀS 22H. INGRESSOS: R$ 100 / R$ 700. 

TRÊS MOMENTOS DA CARREIRA DE DIDO

‘No Angel’

Em 1999, Dido lança o álbum nos EUA e, dois anos depois, em escala global; o uso de um sample de Thank You por Eminem ajuda a impulsionar as vendas do álbum, agora de uma estrela pop 

 ‘If I Rise’

Em 2010, a música em parceria com o produtor A. R. Rahman é indicada para o Oscar (com o filme 127 Horas, de Danny Boyle) 

‘Still On My Mind’

Em 2019, a cantora divulga seu quinto disco e a primeira turnê em 15 anos

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