Reuters/HO/Sotheby's London
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Dicas para ouvir música clássica

Livro 'Falando de Música — Oito Lições sobre Música Clássica', do pianista, regente e acadêmico Leandro Oliveira, é uma porta de entrada para o universo de Bach, Beethoven e companhia

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2020 | 10h00

Variado e muito extenso, o universo da música clássica pode ser um espaço estranho para o fã de música popular, mas sempre é boa notícia quando surgem iniciativas no sentido de facilitar o início dessa exploração. Uma das mais recentes, e que pode ser “aproveitada” durante a quarentena, é o livro Falando de Música — Oito Lições sobre Música Clássica, do pianista, regente e acadêmico Leandro Oliveira, anfitrião do projeto Falando de Música, no qual ele comenta o repertório semanal da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

“Aproximei-me da editora Todavia ainda com uma ideia muito geral do que me parecia ser uma demanda evidente do público e, também, do mercado editorial: um livro sobre música clássica para leigos”, escreve Oliveira no prefácio do livro.

Ao longo de oito capítulos cujo didatismo nunca incorre em desrespeito ao leitor, ele então passa a debater e explicar conceitos relacionados ao universo da música clássica. O livro passa por uma discussão da definição do que ela é (sem reduções, o professor aponta uma distinção fundamental: “a compreensão de que a tradição da música clássica se fundamenta em uma tecnologia própria de registro, a escrita musical"), explicações de fragmentos do discurso musical (o que são, entre outros, timbre, música tonal, sonata, opus, ária, etc), a relação do clássico com o pop, etc.

Ao final de cada capítulo, o autor propõe também outras dicas de leitura para quem quiser se aprofundar nos assuntos apresentados.

No capítulo 7, Oliveira propõe um repertório inicial interessante, dicas, para quem quer ouvir música clássica. “De um lado ou de outro, entre melômanos e iniciantes, a sugestão que se pode dar é sempre a mesma: ouvir, ouvir e ouvir”.

Ao destacar que não há regras para a escuta, ele aponta que “podemos ouvir em casa, no carro, nas salas de concerto, deitados, prestando atenção, curtindo os filhos ou lavando a louça”. A questão é a curadoria de repertório. “Em música, os intérpretes são sempre o verdadeiro canal para nossa sensibilidade”, escreve, ressaltando que o seu guia é “absolutamente idiossincrático” com propostas de “explorações iniciais para uma (posterior) seleção pessoal”.

Veja abaixo algumas das dicas do professor (as palavras entre aspas são suas, e o livro traz diversas outras sugestões) e uma playlist, montada por mim seguindo as recomendações, com mais de 15 horas de música.

  • Concertos para piano nº 23 e 27, de W. A. Mozart (Clara Haskill e a Sinfônica de Viena)

“O gosto pessoal não é capaz de arranhar nem a beleza — para muitos, o mais alto grau de beleza possível — e muito menos a importância histórica do ciclo completo. (...) estão entre os dez últimos concertos as gemas dessa vistosa coroa, que compõe o centro de sua produção instrumental.”

  • Variações Goldberg, de J. S. Bach (Glenn Gould)

“Muitos especialistas o detestam, outros tantos o veneram. Mas todos concordam que ele é um dos grandes artistas da história. O pianista canadense Glenn Gould é uma figura especial em muitos sentidos (...).”

  • Sonata Kreutzer, de Beethoven (Itzhak Perlman e Vladimir Ashkenazy)

“Mais que muitas de suas sinfonias e quartetos de cordas, é com a Kreutzer que podemos entender de modo direto aquele surpreendente arrebatamento que chocou muitos contemporâneos do compositor (...).”

  • Quinteto para Clarinete, de Johannes Brahms (Vermeer Quartet com Karl Leister)

“Muitos argumentam que essa peça é o trabalho de câmara mais profundo de Brahms, e, embora possa parecer uma simplificação exagerada descrevê-lo como outonal, há sem dúvida um tom de melancolia ou tristeza a permear toda a peça.”

  • Tosca, de Puccini (Maria Callas, com Giuseppe di Stefano e Tito Gobbi, sob a regência de Victor de Sabata)

“Suas interpretações de certo repertório italiano, mesmo que controversas estilística e filologicamente, são documentos eternos da mais pungente expressão da voz humana.”

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