Reprodução/Youtube
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Dias antes do ‘Nevermind’, Nirvana tocava num chão de loja

Álbum histórico completa 23 anos nesta quarta-feira; veja

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 11h56

Vinte e três anos depois é difícil de imaginar, mas no dia 16 de setembro de 1991 isto aconteceu mesmo: o Nirvana tocou boa parte do Nevermind (que faz aniversário nesta quarta-feira, 24) dentro de uma loja de discos em Seattle para uma plateia de mais de 200 novos fãs enlouquecidos com aquela que viria a ser uma das grandes bandas dos anos 1990.

A história é contada por Charles R. Cross na biografia de Kurt Cobain, Heavier Than Heaven (lançado no Brasil pela Globo Livros como Mais Pesado Que o Céu). Uma sessão de autógrafos com a banda estava marcada para a loja Beehive Records. A gravadora esperava por 50 pessoas, mas à tarde, por volta das 14h, 200 fãs já estavam na fila – para um evento marcado para as 19h. Quando viu a empolgação, Cobain decidiu que não apenas assinaria papéis, mas que o Nirvana também iria tocar.

“Quando ele viu a fila na loja naquela tarde, isso marcou a primeira vez em que ele foi ouvido usando a expressão ‘puta merda’ (holy shit) como reconhecimento de sua popularidade”, escreve Cross. Quando o show começou, num palco improvisado na loja, o lugar estava tão lotado que as pessoas se amontoavam sobre as prateleiras de discos e sobre cavaletes que foram preparados para a proteção. A formação clássica do Nirvana (Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Gorhl) tocou um set de 45 minutos – e este talvez foi o último show “intimista” que a banda apresentou.

Alguém com uma câmera amadora teve a felicidade de gravar a apresentação, e hoje ela está disponível no Youtube. Veja:

“As pessoas estavam arrancando pôsteres da parede”, disse o então gerente da loja, Jamie Brown, a Cross, “para que tivessem um pedaço de papel em que Kurt pudesse assinar”.

Lançado oficialmente no dia 24 de setembro de 1991, o Nevermind – que reúne os grandes hits da banda, como Smells Like Teen Spirit, Come As You Are e Lithium – levou duas semanas para entrar na parada da Billboard. Um mês depois, era o número 35 – e poderia ter ido além se a gravadora DGC tivesse se preparado melhor: 46 mil cópias do álbum foram feitas inicialmente, e durante semanas ele ficou esgotado.

Sem grandes ações promocionais, o álbum demorou algumas semanas para entrar na programação diária das rádios, de acordo com Cross. Os operadores das estações de Seattle diziam “nós não podemos tocar isso. Eu não entendo o que o cara está dizendo”, relembra Susie Tennant, da DGC, no livro.

A turnê de divulgação pelas principais cidades americanas e o sucesso do clipe de Smells Like Teen Spirit na MTV fizeram as vendas aumentarem exponencialmente. No Halloween daquele ano, o álbum já era de ouro (meio milhão de cópias). Em novembro, o álbum atingiu a marca do milhão.

Sobre o show na Beehive Recors, o baixista do Nirvana, Krist Novoselic, relatou a Charles Cross que essa apresentação em particular (“um show de graça numa loja de discos uma semana antes do lançamento oficial do álbum”) foi um ponto de virada para Cobain. “Coisas começaram a acontecer depois desse dia”, disse Novoselic. “Nós não éramos mais a mesma banda. Kurt, ele meio que se afastou. Tinha muita coisa pessoal em andamento. Ficou complicado. Era mais do que tínhamos pedido.”

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