Diane Schuur faz show em SP

A pianista e cantora Diane Schuur apresenta-se nesta terça e na quarta-feira no Bourbon Street. Ela traz a São Paulo uma amostra do seu mais recente álbum, Friends for Schuur (Concord), em que ela apareceu ao lado de grandes nomes do jazz e do pop como Stevie Wonder, Ray Charles, Herbie Hancock, Dave Gruisin e até mesmo o sax-tenor Stan Getz, que já morreu e teve um de seus registros fonográficos "digitalmente reintroduzido", segundo consta nos créditos da gravação.Bem-humorada e disposta, Diane falou por telefone com a reportagem. Diz que está feliz por voltar ao País, "onde sempre viveu bons momentos pessoais e profissionais". E especialmente por poder mostrar trechos de um trabalho, em suas palavras, "tão estimulante" como Friends for Schuur. "Gravar ao lado de grandes lendas do jazz foi muito excitante e divertido. São artistas brilhantes, que possuem estilos únicos e diferentes dos quais eu gosto muito", diz, mostrando não se importar muito com algumas críticas, que a acusaram de não querer arriscar muito em seu primeiro álbum com a gravadora Concord, apostando no nome dos companheiros.Além de Friends for Schuur, outros álbuns de Diane estarão presentes nas apresentações de de amanhã e quarta. Em especial o encontro dela com a lendária Count Basie Orchestra, trabalho pelo qual ela ganhou um Grammy. Também devem estar presentes canções como Prelude to a Kiss, de Duke Ellington, e When I Fall in Love, de Gershwin, que compõem o repertório de Diane, bastante afeita a peças clássicas do jazz norte-americano.O que não significa, porém, que ela evite interpretar canções novas. O critério, ela mesmo explica. "Busco boas melodias, mas, principalmente, bons versos, letras bem escritas e inteligentes." E, o que é mais importante: "Canções que se aproximem de alguma maneira de mim, da minha vida. Neste ponto, sou extremamente seletiva." Entre os nomes que ela cita, está Ivan Lins. "Gosto muito da musicalidade de suas canções."Dos clássicos, gosta muito de Gershwin, do ambiente em que ele compôs. Mas não se mostra saudosista. Não vê a tecnologia como algo nocivo, um bicho-papão capaz de acabar com o glamour do jazz. "Vivemos tempos diferentes em relação aos de 50, 60 anos atrás, o que é ótimo. Basta apenas ter bom senso na utilização da tecnologia. Ficaria muito triste, por exemplo, se as big bands desaparecessem. Este tipo de coisa precisa ser mantido, para sempre." Assim como algo que ela acredita ser parte essencial da vida de quem se propõe a fazer jazz: a improvisação. "Procuro conhecer e ensaiar bem o que vou apresentar, mas não deixo de lado, em hipótese nenhuma, a improvisação."Influências - Diane nasceu em Tacoma, nos Estados Unidos. Ficou cega por um descuido, um acidente no hospital logo após seu nascimento. Desde cedo aprendeu música em casa, com seu pai. Aos 9 anos fez sua primeira apresentação em público. "Meus pais possuíam uma grande cultura musical e um acervo gigantesco", conta.A possibilidade de cantar surgiu nas vozes de Dinah Washington, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. "Pode-se dizer que elas foram as grandes influências em minha carreira."Em Dinah Washington, chamava-lhe a atenção a voz exuberante, o estilo único, a maneira como sabia pronunciar de modo claro cada palavra. Sarah Vaughan impressiona pelo alcance vocal, fantástico, em sua opinião. E Ella Fitzgerald? "É engraçado, mas Ella, de certa forma, consegue unir de modo incrível estas características todas."A conversa com Diane é agradável, o riso enorme flui com facilidade. Em um só momento, o tom jocoso abre espaço para a seriedade. É quando ela pára e pensa a respeito do que significa a música em sua vida. Um breve silêncio e a resposta. "Não é nada original, mas a música para mim é tudo." Mais um breve silêncio. "É, sem ela, seria realmente uma porcaria." E o riso volta, na verdade uma longa gargalhada, de alguém que lembrou do passado e gostou da sensação.Diane Schuur. Terça e quarta-feira, às 22h30. Couvert artístico de R$ 60,00 a R$ 105,00. Bourbon Street Music Club. Rua dos Chanés, 127, tel. 5561-1643. Patrocínio: Diners Club International

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