Diana Krall leva seu CD mais feliz ao Parque Villa-Lobos

A mais popular das divas do gênero é a atração principal do festival de jazz a céu aberto

Flávia Guerra,

30 de novembro de 2007 | 19h31

Esqueça o ambiente esfumaçado, o cheiro de veludo vermelho, o uísque em cima da mesa que fãs, espremidos em mesinhas de um pub qualquer, fazem questão de pedir com gelo para melhor derreter ao som de melodias do jazz.  Diana Krall chega neste domingo, 2, à cidade para provar que lugar de jazz é no parque. A cantora e pianista canadense se apresenta ao lado de sua banda no Parque Villa-Lobos e confessa ao Estado: "Estou nervosa. Minha banda nunca tocou no Brasil. Estão todos muito animados. Mas cantar em um país que sempre me inspirou tanto e cuja música é uma das melhores do mundo é sempre assustador. Ainda mais para uma platéia enorme como a esperada." A diva do que se pode chamar de nova geração do jazz é a principal atração do Telefônica Open Jazz, espécie de festival que reúne também outros grandes nomes da música nacional. A maratona começa às 10 h, com a deliciosa Banda Mantiqueira e a Traditional Jazz Band.  Depois, é a vez de Diana mostrar mais uma vez porque derrete os corações até dos mais puristas. Além de provar porque já foi indicada para o Grammy de melhor performance vocal jazz, já ficou mais de 70 semanas entre os mais vendidos da parada da Billboard com seu disco All for You - Dedication to Nat King Cole Trio, de 1996. Para completar, ela foi eleita a melhor cantora de jazz em 2007 pela revista DownBeat, espécie de Bíblia do Jazz.  Diana não inventou, nem reinventou, o jazz. Mas conseguiu, com sua personalidade solar, distante da que é associada às grandes divas, atrair um público jovem, cujo paladar mais afeito às melodias, digamos, mais fast-foods, torciam o nariz para as grandes composições do gênero. Não por acaso, já vendeu mais de 14 milhões de discos pelo mundo.  Ela, que sobe ao palco ao lado da The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra, promete cantar hits de seus álbuns, o recente From This Moment On, de 2006, e antigos sucessos, até mesmo do intimista The Girl in the Other Room, álbum que ela revisita pouco por ter sido gravado, em 2003, em um momento complicado de sua vida, quando ela perdeu a mãe. Hoje, a fase é outra. Casada com o músico britânico Elvis Costello, ela é mãe de gêmeos, os garotos Dexter Henry Lorcan e Frank Harlan James, que completam um ano no próximo dia 6, e faz questão de levá-los nas turnês. A seguir, principais trechos da entrevista, concedida por telefone, ao Estado: Você nunca tocou em um espaço tão, digamos, público em São Paulo. Esta vai ser sua estréia para multidões no País. Como está se preparando para isso?Para dizer a verdade, não estou preparada. É sempre uma responsabilidade imensa tocar no Brasil. Ainda mais diante de uma multidão. Eu já toquei para grandes platéias. Há pouco tempo fiz um show para mais de 15 mil pessoas em Los Angeles. Mas nada se compara ao público brasileiro, que canta literalmente todas as músicas com a gente.  E o que você traz para o público brasileiro? Alguma canção em especial?Repertório será um mix. Vai ter de tudo. E no clima otimista que um show em um parque tem de ter. É claro que não vão faltar as clássicas. Cole Porter, George Gerswhin, Irving Berlin.  Alguma canção brasileira?Ainda não sei. Vou pensar na hora. Adoraria cantar alguma canção da bossa nova, mas confesso que me sinto como se ensinasse o pai-nosso ao vigário. Sem contar que teria de cantar em inglês. Infelizmente ainda não sei cantar em português. O idioma de vocês é lindo, mas muito difícil. Eu preciso aprender. Quero investir nisso. Jamais vou me esquecer quando cantei Jobim aqui, há alguns anos, e a platéia toda me acompanhou. Foi mágico.  Este não é mais um daqueles velhos clichês de que o brasileiro é um povo especial, diferente, que tem uma energia única, não?De forma alguma! Se a lenda existe é porque é fato. O brasileiro inspira muito qualquer artista. É mesmo incrível. A alma de um povo se exprime em sua música. E não é por acaso que a música brasileira é tão incrível. Você está ouvindo o trabalho de algum músico brasileiro em especial, nos últimos tempos?Sempre ouço Tom Jobim. É uma grande fonte de inspiração para mim. E também adoro Elis Regina. E Rosa Passos. Adoraria cantar e gravar com ela.  Você está em ótima fase, não? Tanto na carreira quanto na sua vida pessoal. É verdade. Eu, que sofri tanto há alguns anos com a perda da minha mãe, hoje sou mãe e sinto a presença dela toda vez que estou ao lado dos meus filhos. Eles são maravilhosos. Aliás, eles adoram música. Eu posso colocar qualquer coisa para tocar que eles já saem dançando. Como continuei em turnê e eles ouviram muita música na gravidez, já nasceram acostumados.  Fica claro que essa alegria se reflete em From This Moment, seu disco mais recente. De fato. Esta é a melhor fase da minha vida. Estou muito feliz com minha família, com Elvis (Costello). E sinto muita fé no futuro. A maternidade me trouxe esta felicidade. E eu trouxe todos eles comigo. Elvis e os meninos estarão no show de hoje com certeza.  Sua passagem pelo Brasil é uma das últimas fases da turnê de From This Moment?Sim. Depois disso volto para Nova York e vou ter algum tempo de férias com a família. Em seguida, entro em estúdio novamente e começo a gravar o novo disco.

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