Dia Mundial do Rock em final de Copa

Se o Maracanã fosse um palco, os alemães entrariam em campo com vantagem; ouça "primeira gravação" do gênero

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2014 | 13h00

Diante de uma final de Copa do Mundo, poucos vão se lembrar de que neste domingo, 13, se comemora o Dia Mundial do Rock. Muitos ainda sequer sabem que o rock tem um dia para ele desde 13 de julho de 1985, quando Bob Geldof organizou um grande evento para arrecadar fundos e combater a fome na Etiópia. Chamou os gigantes Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton e Black Sabbath e os colocou em dois palcos, um montado em Londres, na Inglaterra, e outro na Filadélfia, Estados Unidos. Os shows foram televisionados para o mundo. Phil Collins mencionou que gostaria de ver aquele acontecimento sendo conhecido como  Dia Mundial do Rock. E o termo pegou.

A atitude de Geldof não só ajudou a milhares de vítimas da praga que assolava os africanos como resolveu uma questão. Se não tivesse um acontecimento como pretexto para ser celebrado, o rock veria o ano passar em branco. Ele é igual a filho de pai desaparecido. Apenas suspeita daqueles que um dia decidiram chamá-lo de meu moleque mas que jamais se submeteram a um exame de DNA. Ike Turner, o marido de Tina que adorava esbofeteá-la depois de um show, foi um deles. Jurava que a canção Rocket 88, de 1951, quando ele ainda se apresentava como Jackie Brenston, acompanhado pelo grupo Delta Cats, havia sido o primeiro rock da história. Perfeito, se um homem chamado Roy Brown não tivesse registrado Good Rockin’ Tonight quatro anos antes, em 1947, que depois entraria para o repertório de Elvis e Paul McCartney.

Se o Maracanã fosse um palco, a Alemanha poderia entrar em campo no domingo com certa vantagem sobre a Argentina. Falando em relevância mundial, os grandalhões têm os eletrônicos do Kraftwerk, considerados tão influentes quanto os Beatles no cenário que abriram na música a partir de 1970, e os metaleiros do Scorpions, ainda que sejam muitas vezes lembrados apenas pela balada Still Loving You mas que guardam sustança embaixo dos 150 milhões de discos vendidos pelo mundo. Já os argentinos produzem rock quase que exclusivamente para consumo interno. Seu nome maior é Charly García, um homem excêntrico, de biografia polêmica e obra de respeito, e seu artista contemporâneo mais pop é Fito Paez. Quase que um novo 7 a 1 para os alemães.

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