Dez anos sem a primeira dama do jazz Ella Fitzgerald

A morte de Ella Fitzgerald, em 15 de junho de 1996, privou o mundo da presença da primeira dama do jazz, mas suas gravações mantêm com vida a recordação daquela que foi, para muitos, a melhor intérprete do jazz de todos os tempos.Ella Jane Fitzgerald morreu há 10 anos, com 78 anos, em sua casa de Beverly Hills, nos Estados Unidos, depois de perder a batalha contra a diabetes, que há anos travava. Mas a doença não conseguiu silenciar sua música, como demonstram os 40 milhões de álbuns vendidos de sua obra até a presente data.Uma década depois de sua morte, o prêmio de maior prestígio da Sociedade dos Cantores leva seu nome, o prêmio Ella a toda uma carreira musical.Este mês, cantora será incorporada ao Hall da FamaSua obra será homenageada este mês com sua incorporação ao Hall da Fama, o quadro de glória do Teatro Apollo de Nova York, onde Ella começou sua carreira há mais de 70 anos.Como assegurou a cantora antes de morrer, o feito de contar com seguidores não só de sua época, mas também de novas gerações significa que a vida valeu a pena. Sua voz foi clara e de dicção perfeita, capaz de alternar entre notas mais baixas e mais agudas em be-bop ou em baladas. Cantava sistematicamente com uma nota de alegria, algo que alguns criticaram ao considerar que representava falta de esforço. Trata-se de uma qualidade irônica para esta nativa do estado de Virgínia, que cresceu na pobreza e lutou com sua música para sobreviver como uma cantora negra em um mundo de brancos.Ella também teve que lutar contra sua timidez, a qual se apoderou dela quando, aos 16 anos, participou, como bailarina, de um concurso do Teatro Apollo. Incapaz de dar um passo, Ella saiu de uma situação cantando Judy no estilo de seu ídolo, Connee Boswell.Nascia uma estrela e seus 200 álbuns e mais de 2 mil canções só reafirmaram seu título como a primeira dama do jazz, uma honra confirmada por seus 13 prêmios Grammy.´A-Tisket, A-Tasket´ (1938), o primeiro sucessoElla teve que superar as dúvidas de seu primeiro mentor, Chick Webb, que, por não ter certeza do talento da jovem de 17 anos, ofereceu a ela uma participação de pouco destaque em sua orquestra. Mas o sucesso da música de Ella A-Tisket, A-Tasket (1938) convenceu Webb de que tinha tomado uma decisão acertada. Cantando sozinha, Ella chegou a trabalhar com músicos como Duke Ellington, Count Basie, Nat King Cole, Frank Sinatra e Benny Goodman. Ou, como indica o site oficial da cantora, "outros preferem dizer que os grandes músicos do jazz tiveram o prazer de trabalhar com Ella". Foi Dizzy Gillespie quem a estimulou a improvisar e adotar o be-bop como outro de seus estilos, e por ele Ella se fez mais conhecida. Quincy Jones disse que a musa foi não somente a maior influência de sua carreira, mas também a de toda a música norte-americana. E ainda assim, todos que conheceram Ella recordam sua simplicidade e timidez."Não digo nada para não dar azar. Acredito que assim canto melhor", dizia, envergonhada com tantos elogios, a musa jazzística. Ella, durante sua última década de vida, teve que operar várias vezes o coração e a diabetes a consumiu, primeiro sua vista, depois seus movimentos. No fim de sua vida, permaneceu em uma cadeira de rodas depois de ter amputado ambas as pernas. Os álbuns 75 Birthday Celebration, The CompleteElla Fitzgerald Song Books, Ella in London e The Complete Ellain Berlin, lançados nos últimos anos, sem dúvida retomam o talento da cantora.

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