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‘Detalhes de uma vida...’

Na caixinha de som, o disco no repeat toca as canções de Roberto Carlos numa nova voz: Nando Reis, que lançou o álbum no dia 19 de abril (aniversário do Rei)

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2019 | 02h00

Quantas vezes você já ouviu aquela história de um filho de artista que dormia no case durante o show, ou ficava sempre na coxia, ou brincava no ateliê? O que a gente faz com os nossos filhos enquanto trabalhamos e como isso influencia na formação deles? E o quanto os filhos influenciam no trabalho de um artista? São tantos os shows em que a criança sobe no palco e rouba a cena. O palco é um lugar de rituais de arte e vida. Tem como separar? O texto a seguir foi escrito entre uma acordada e outra da minha filha de 5 meses. 

19h30 de uma terça-feira fria. Minha filha acabou de dormir, eu aproveito e corro para o computador para fazer a pauta do entrevistado do dia seguinte. Na caixinha de som, o disco no repeat desde domingo, as canções de Roberto Carlos numa nova voz: Nando Reis. Ele lançou o álbum no dia 19 de abril (aniversário do Rei), Não Sou Nenhum Roberto, Mas Às Vezes Chego Perto, com direção artística de Marcus Preto e produção do Pupillo, parceiros já firmes em discos como os de Erasmo Carlos, Gal Costa, Paulo Miklos. 

Um minuto, vou checar minha filha. Ela continua dormindo. 

No repertório, músicas conhecidas como Amada Amante, Nossa Senhora e Todos Estão Surdos e outras nem tanto como: Me Conte a Sua História e A Guerra dos Meninos. Nossa Senhora ganhou uma versão nananá e A Guerra dos Meninos com um narrador maravilhoso: nada menos do que Jorge Mautner. Uma delícia de disco. Mesmo. 

Ela acordou. Já volto. 

Confesso que, quando soube que Nando Reis ia gravar Roberto Carlos, não entendi. Mas Nando não só gravou Roberto, ele gravou e colocou naquele disco a história da vida dele, a família, o amor, a loucura deliciosa que é ter um filho, dois, três, quatro, cinco, os ciclos, seus filhos tendo filhos. Ser trilha e ter trilha sonora. Gravou um disco dele. 

Acordou de novo. Aiiii. De novo, filha?

Pronto. Para cada música do disco, um vídeo com arquivos da família, fitas e mais fitas VHS de uma vida, os filhos, o olhar de quem não tinha na formação o costume de ser filmado (outros tempos) e o encontro de olhares, aquela troca cúmplice entre Vânia e Nando, que diz tanto sobre momentos raros, intensos e loucos. Os vídeos foram idealizados e editados por Carol Siqueira, exceto o clipe de Amada Amante, dirigido por Jorge Bispo. Não consigo descrever a beleza que é, por favor, vejam no canal dele no YouTube. A vida e a passagem do tempo. Emocionante.

Minha filha chorou. Acordou de novo. Confesso que fiquei feliz. Vou lá abraçá-la. É uma loucura, mas é uma delícia. A vida passa. E, como ele já cantou, “são tantas emoções”. 

Música da Semana

Bagunça

A cantora e compositora Barbara Eugenia lançou em março deste ano o quarto disco da carreira, que leva o nome de Tuda, com produção dela, Dustan Gallas e Clayton Martin. A música escolhida aqui tem participação do Zeca Baleiro e, através dela, eu faço o convite para o show no Centro Cultural São Paulo, no dia 16 de junho. 

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