AFP PHOTO / TASSO MARCELO
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Depois de veteranos, Queens of the Stone Age e uma nova geração dominam o Rock In Rio

O riff de Regina Let’s Go, primeiro sucesso da banda de hardcore melódico CPM 22, soou como novidade aos ouvidos de qualquer um que passou pelo primeiro fim de semana de Rock in Rio na Cidade do Rock. Depois de performances de artistas marcados pelas mais de três décadas de estrada, o grupo liderado pelo vocalista Badauí pareceu banhar a noite de quinta-feira, 24, com algum tipo de fonte da juventude. E tiraram o cheiro de naftalina que impregnou a arena na última semana. 

PEDRO ANTUNES, GUILHERME SOBOTA, JOÃO PAULO CARVALHO, ROBERTA PENNAFORT - ENVIADOS ESPECIAIS / RIO, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2015 | 01h26

Era dia de rock no Rock in Rio. Assim como ocorreu no último sábado, com Metallica e Mötley Crüe. Desta vez, tudo soava um pouco mais fresco. A banda paulista, escolhida para abrir as atividades do principal palco do festival carioca, na noite passada, dialoga com uma geração roqueira. System of a Down e Queens of the Stone Age, escaladas para subir ao mesmo Palco Mundo, apresentam aquilo que o rock produziu nas duas últimas décadas, a fusão com outros gêneros, novas subcategorias, como avant-garde metal e stooner rock, respectivamente. O peso ainda está lá, mas a abordagem já não precisa ser necessariamente a mesma. 

O QOTSA é um exemplo de banda que só melhorou com o tempo e encontrou, numa geração mais nova, a sua contraparte. O grupo liderado por Josh Homme esteve no Brasil, mas é mais lembrado pela polêmica envolvendo o baixista nu do que pela música. Quatorze anos depois, um hit poderoso como No One Knows e a mais recente My God Is The Sun (do recente ...Like Clockwork), foram igualmente capazes de tremer o chão da Cidade do Rock.

A única exceção da escalação do Palco Mundo seria o grupo Hollywood Vampires, formado por nomões veteranos do rock como Alice Cooper, Joe Perry e a inusitada presença do ator Johnny Depp. 

A apresentação do grupo, por sinal, foi um grande “catadão do rock”. Covers de Led Zeppelin, The Who, The Doors, entre outros, foram enfileirados aos montes, mas os jovens queriam, mesmo, é tirar uma boa foto do astro de Hollywood que figurava entre os astros da música. Era, para eles, uma experiência antropológica. Não musical. 

Se os cabelos grisalhos eram vistos em fartura no primeiro fim de semana, encerrado por Queen e Adam Lambert, a já citada Metallica e Elton John e Rod Stewart, a Cidade do Rock foi tomada pela juventude roqueira. Ela não necessariamente usa seus cabelos longos, soltos para chacoalhar a cada solo de bateria ou cavalgada executada pelo baixista. Eles provavelmente riem do metal farofa do Mötley Crüe. 

São novos tempos. Grupos recentes que ainda precisam marcar a própria história nas páginas do rock, caso do System of a Down e do Slipknot – este escalado para encerrar a noite desta sexta-feira, 25 –, são os responsáveis por trazer essa leva de jovens para o lado negro do rock. 

Coube ao CPM 22 a função de dar início às festividades desse rock novo. A banda paulistana despontou justamente no último suspiro do gênero nas rádios brasileiras e na MTV. Impactaram uma geração de garotos que gostavam de canções aceleradas e cantar as dores do coração sem soar piegas – bom, eles tentavam, pelo menos, roqueiros também amam, afinal. 

Quando a tradicional queima de fogos começou, marcando o início da segunda parte do festival, com os shows maiorais, e voz do vocalista do grupo paulistano berrou seu famoso “let’s go!”, teve início essa nova nostalgia. Jovens que cresceram com canções como O Mundo Dá Voltas, Tarde de Outubro e Não Sei Viver Sem Ter Você tiveram o seu momento que os roqueiros mais velhos, fãs de Queen ou Metallica, experimentaram nos dias anteriores, guardadas as suas devidas proporções. Democrático, por que não?


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