Meyer Liebowitz/The New York Times
Meyer Liebowitz/The New York Times

Depois de quinze anos de brigas internas, patrimônio de James Brown é vendido

Empresa nova-iorquina especializada em propriedades de marketing e catálogos musicais está comprando os ativos do patrimônio do artista, o qual inclui direitos musicais, imóveis e o controle sobre o nome de Brown

Ben Sisario e Steve Knopper, The New York Times

17 de dezembro de 2021 | 10h00

Desde a morte de James Brown, quinze anos atrás, o plano do ícone da música soul e funk de deixar a maior parte de seu patrimônio para bolsas de estudo para crianças carentes foi sendo adiado por torrentes de litígios. Mas a missão de financiar essas bolsas deu um grande adiante nos termos de um novo acordo comercial.

A Primary Wave Music, empresa nova-iorquina especializada em propriedades de marketing e catálogos musicais, está comprando os ativos do patrimônio de Brown, o qual inclui direitos musicais, imóveis e o controle sobre o nome de Brown.

Larry Mestel - fundador da Primary Wave, que fez um negócio semelhante para metade do patrimônio de Whitney Houston e possui a maior participação no de Prince - prevê uma série de novos projetos para honrar o legado de Brown e promover sua música para novas gerações de fãs. Esses projetos podem abranger um musical na Broadway, programas de televisão e a criação de um museu semelhante a Graceland na mansão de Brown na Carolina do Sul, disse ele.



“James Brown foi um dos maiores artistas musicais de todos os tempos e uma das maiores lendas do mundo da música”, disse Mestel numa entrevista. “Isso se encaixa feito uma luva naquilo que estamos fazendo”.

O preço do acordo não foi divulgado, mas é estimado em cerca de 90 milhões de dólares. O dinheiro da transação será usado para financiar o fundo de bolsas de estudos Brown “para sempre”, disse Russell Bauknight, contador público que trabalha como representante pessoal do espólio desde 2009. Ele disse que, quando o espólio for fechado, ele continuará a trabalhar com a Primary Wave na condição de membro de uma diretoria que administra alguns dos ativos de Brown.

“É hora de trazer alguém com a experiência de Larry para avançar para o próximo nível”, disse Bauknight. “Estamos vendo isso como uma parceria no futuro”.

O acordo inclui uma cláusula para a Primary Wave contribuir com o que Mestel chamou de “pequena porcentagem” em alguns acordos futuros para as bolsas de estudo, que são para crianças carentes da Carolina do Sul, onde Brown nasceu, e da Geórgia, onde ele cresceu.

O acordo com a Primary Wave é um grande passo em direção à realização do sonho de Brown de financiar as bolsas de estudo, um sonho adiado por um dos conflitos imobiliários mais longos e contenciosos da história do entretenimento. As brigas internas abrangeram vários processos judiciais em tribunais estaduais e federais, custando milhões de dólares em honorários de advogados e deixando um registro público complicado.

“O maior emaranhado que você já viu”, Henry McMaster, hoje governador da Carolina do Sul, disse ao New York Times em 2014, sete anos depois de se envolver no espólio de Brown como procurador-geral do estado.

Uma parte desse emaranhado envolveu Tomi Rae Hynie, cantora com quem Brown se casou em 2001, mas depois soube que já era casada com outro homem. Mesmo com seu status de esposa incerto, Hynie, junto com cinco dos filhos de Brown, após a morte de Brown tentou anular seu testamento e negociar um acordo para garantir a si mesmos partes significativas do patrimônio.

Eles contaram com o apoio do procurador-geral McMaster e de um juiz estadual que aprovou seu acordo em 2009 - até que a Suprema Corte da Carolina do Sul anulou seu acordo quatro anos depois, chamando-o de “desmembramento do plano imobiliário cuidadosamente elaborado por Brown”. (Em 2020, esse tribunal decidiu por unanimidade que Hynie não era a esposa de Brown).

Por mais de uma década, os herdeiros e administradores de bens de Brown, entre eles Bauknight e Adele Pope, uma ex-executora, questionaram o valor de seus bens nos tribunais. Bauknight estimou em cerca de 5 milhões de dólares, mas Pope, que foi destituída de seu cargo em 2009, estimou em 84 milhões de dólares. Questionado se a recente venda não havia corroborado a avaliação de Pope, Bauknight a defendeu como precisa no momento da morte de Brown. Ele acrescentou que o valor do patrimônio cresceu ao longo dos anos e citou os esforços de profissionais do setor que ele contratara para assessorá-lo.

O acordo com a Primary Wave está em andamento há quase quatro anos, e Bauknight disse que teve discussões com “vários agentes”. Os termos do acordo são confidenciais, mas Bauknight disse que os únicos beneficiários do patrimônio são dois fundos de educação - um para os netos de Brown, limitado a cerca de 2 milhões de dólares, e outro para crianças carentes da Carolina do Sul e Geórgia, que deve receber a maior parte dos recursos - e o patrimônio não faz parte dos “direitos de rescisão” de Brown ou direitos autorais de composição.

Para negociar a aquisição do patrimônio de Brown, Mestel contou com um dos pesos pesados dos direitos musicais, John Branca, que foi advogado de Michael Jackson por longa data e é um dos executores da propriedade de Jackson.

“Foi complicado”, disse Branca sobre o negócio, “porque James Brown era complicado”.  


TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

 

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